30 de abril de 2011

28 de abril de 2011

Lido no Público : Nuno Maló nomeado para Compositor Revelação 2011 dos Gold Spirit Awards


Nuno Maló, compositor da música de “Amália, O Filme”, é um dos nomeados para o Prémio Compositor Revelação do Ano 2011 dos Gold Spirit Awards.

O compositor português é um dos seis nomeados ao prémio que é anunciado durante a 7.ª edição do Festival Internacional de Música e Cinema de Ubeda, em Espanha, que acontece de 18 a 24 de Julho.

O nome de Nuno Maló, que venceu recentemente o prémio de Compositor Revelação do Ano da Associação dos Críticos de Música de Filmes, com sede em Los Angeles, surge ao lado de Trent Reznor, vencedor do Óscar deste ano na categoria de Banda Sonora Original (“A Rede Social”), do duo francês de música electrónica, os Daft Punk, do norte-americano Matthew Margesone, do espanhol Arnau Batallier e do turco Pinar Toprak.

Os Gold Spirit Awards foram instituídos em 2001 pela BSOSpirit, um site da Internet espanhol vocacionado para fãs de cinema e de composições para cinema destinados a reconhecer a importância da música na cinematografia. Desde 2002 que é possível a votação online no sítio.

O nome GoldSpirit é uma homenagem ao compositor norte-americano Jerry Goldsmith, juntando o seu nome ao da organização promotora dos prémios.

Nomeado para 17 Óscares, Jerry Goldsmith, nascido nos Estados Unidos em Fevereiro de 1929 e falecido em Junho de 2004, recebeu um Óscar em 1976 pela composição para o filme “The Omen”. Entre as várias bandas sonoras que compôs conta-se a da série “Caminho das Estrelas”.

Em comunicado, a Valentim de Carvalho congratula-se com a nomeação de Nuno Maló, considerando que “comprova a qualidade do seu trabalho em “Amália, o Filme””.

Lido no Público : Projecto português que visa curar sida vai ser financiado pela Fundação Gates

Com cem mil dólares no primeiro ano e, se correr bem, talvez mais um milhão para chegar à aplicação clínica, uma equipa de cientistas portugueses espera conseguir vencer de vez o vírus da sida.

João Gonçalves, 44 anos, investigador do Instituto de Medicina Molecular (IMM) da Universidade de Lisboa, não escondia o seu entusiasmo quando, esta manhã, falou ao telefone com o PÚBLICO. Sabia que, ao fim da tarde, no âmbito dos seus Grand Challenges Explorations, a Fundação Bill e Melinda Gates anunciaria oficialmente que o seu projecto tinha sido um dos 88 escolhidos entre 2500 vindos do mundo inteiro para receber financiamento.

O projecto insere-se na categoria de concepção de “novas abordagens para curar a infecção pelo HIV”, uma das seis definidas por aquela prestigiada entidade norte-americana para esta ronda de bolsas (a sexta desde que a Fundação lançou a iniciativa).

Pode parecer muito arrojado falar em “cura” quando se fala de sida, mas é exactamente essa a meta da equipa de João Gonçalves: “encontrar as células infectadas pelo HIV, mesmo que ele esteja completamente adormecido, e matar essas células”.

O HIV infecta os seres humanos inserindo-se no ADN das suas células imunitárias e utilizando a maquinaria celular para se replicar e partir ao ataque de outras células. Actualmente, os mais potentes “cocktails” de medicamentos contra o HIV apenas permitem reduzir a sua taxa de replicação, fazendo com que a carga viral no sangue da pessoa infectada desça para níveis praticamente indetectáveis durante longos períodos. Mas isso não acaba com a doença. As células infectadas pelo HIV continuam vivas e, no seu interior, o vírus continua quer a replicar-se lentamente, quer inactivo – em autênticos “santuários” no organismo humano de onde é quase impossível extirpá-lo. Esse é, aliás, um dos grandes problemas com que se defrontam hoje os especialistas.

O derradeiro objectivo dos cientistas portugueses é precisamente acabar com todas as células infectadas, incluindo as dos “santuários” (que, apesar de representarem um por cento das células infectadas, são as que fazem com que o HIV possa regressar em força). E tudo isto sem matar as células imunitárias que não estão infectadas pelo HIV.

A estratégia que querem desenvolver é diferente e “totalmente inovadora” em relação ao que tem sido feito até agora, explica-nos João Gonçalves. Vai ter duas fases, uma destinada a matar as células imunitárias onde o vírus da sida está activo e a outra a eliminar os derradeiros redutos de células onde o vírus se encontra “adormecido”.

O processo envolve o fabrico de nanopartículas, de anticorpos e de proteínas muito especiais. Basicamente, os cientistas vão construir pequenos anéis de ADN que irão a seguir “embrulhar” dentro de minúsculas esferas artificiais. Essas “nanopartículas” serão tornadas capazes de detectar as principais células-alvo do HIV – os chamados linfócitos T CD4 – graças a anticorpos espetados à sua superfície e especificamente desenhados para se ligar aos receptores CD4 dos linfócitos T. Deste modo conseguem inserir o seu pequeno anel de ADN dentro delas. “Há quase 10 anos que fazemos engenharia de anticorpos”, explica João Gonçalves. “Temos o know-how”.

Na primeira fase do projecto, o anel de ADN será composto por um gene que fabrica a proteína viral de activação do HIV (chamada Tat) acoplado ao gene de uma toxina. “A Tat vai actuar sobre o vírus, o vírus vai reactivar-se – e ao reactivar-se, vai activar a toxina, que vai matar a célula”, explica João Gonçalves. A reactivação do vírus pela sua própria proteína permite atingir um nível de actividade viral suficiente para garantir que a toxina seja activada. “Vamos utilizar os mecanismos do próprio vírus para provocar o suicídio celular”.

Na segunda fase, o anel de ADN será diferente: transportará para o interior dos linfócitos o gene de uma proteína dita “dedos de zinco”, também fabricada pelos cientistas, que tem a particularidade de conseguir detectar sequências genéticas específicas do HIV mesmo quando o vírus está totalmente inactivo dentro do ADN da célula humana. “Já trabalhamos na construção de proteínas dedos de zinco há vários anos, e já testámos este tipo de proteína contra o HIV”, diz-nos o cientista. O gene desta proteína será acoplado ao de uma enzima chamada timidina cinase, destinada a activar um medicamento antiviral, o ganciclovir, que deverá ser administrado ao mesmo tempo. “Quando a proteína dedos de zinco reconhece o ADN do vírus, activa a enzima, que por sua vez activa o ganciclovir, que mata a célula”, salienta João Gonçalves.

Se os resultados forem positivos, as duas abordagens – que segundo João Gonçalves são complementares – deverão ser testadas em paralelo, primeiro em macacos e depois em ensaios clínicos de segurança e eficácia, o que poderá demorar mais dois anos.

E se não funcionar? “Temos outras coisas na manga”, responde-nos. “Temos um plano B”. Mas o investigador está confiante: “temos 80 por cento de certeza que a primeira fase vai funcionar e 50 por cento que a segunda vai funcionar”. E de facto, se funcionar, as proteínas dedos de zinco têm um potencial de aplicações que vai muito para além da sida: “É uma tecnologia que pode ser aplicada a outros vírus e mesmo a cancros”, diz o cientista.

27 de abril de 2011

Lido no Público : Portugal vai conseguir cumprir protocolo de Quioto, indica Governo

Muito se pode atribuir à crise económica, que levou a que os portugueses refreassem o uso do seu carro, por exemplo. O aumento das energias renováveis deu também o seu contributo, assim como um melhor desempenho ambiental de algumas indústrias. O certo é que, contas feitas, Portugal está agora melhor posicionado no cumprimento do protocolo de Quioto pois a meta para o limite das emissões dos gases que contribuem para as alterações climáticas pode vir a ser atingida.

Actualmente, Portugal está a emitir 0,54 milhões de toneladas de dióxido de carbono acima da meta, indica o último ponto de situação sobre as políticas de alterações climáticas em Portugal, hoje divulgado pelo Ministério do Ambiente. Um valor muito inferior às estimativas feitas nos últimos anos, que indicavam um excesso sempre superior às dez milhões de toneladas.

Mas este valor não inclui a contabilização dos chamados “sumidouros de carbono”, ou seja, o uso do solo e florestas – que têm o potencial de reter o carbono da atmosfera mas que oferecem o risco de se transformar em emissores devido aos incêndios. Há ainda números a afinar em relação às licenças de emissão atribuídas às indústrias, que poderão ficar abaixo do esperado.

O que leva a Comissão para as Alterações Climáticas a considerar que o desvio em relação à meta pode situar-se entre menos 3,17 milhões e 4,50 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente. Ou seja, “estima-se o cumprimento da meta de Quioto em qualquer dos cenários estudados”, conclui a Comissão. Uma conclusão que terá ainda de ser validada pelas entidades internacionais.

No relatório, aponta-se a “descarbonização da economia” como a principal explicação para cumprimento dos objectivos. Concretamente, são apontados factores como a utilização em “velocidade de cruzeiro” de gás natural, o aumento do contributo das energias renováveis (com cerca de 50 por cento da produção de electricidade em 2010), o início da dos biocombustíveis nos transportes, a eficiência energética nos sectores abrangidos pelo comércio europeu de licenças de emissão, a reforma da tributação automóvel e a crise económica (sobretudo em 2009-10).

"A crise económica e algumas medidas-chave e com êxito, principalmente no sector energético através de um maior recurso a origens renováveis explicam a forte possibilidade de conseguirmos ficar abaixo da meta traçada pelo Protocolo de Quioto", congratula-se Francisco Ferreira, da Quercus. Porém, nota o ambientalista, "o sector dos transportes continua a revelar-se o mais problemático em termos de execução das medidas, havendo muitas que ficaram muito aquém das metas ou nem sequer avançaram".

Quando se olha para os números já estabilizados, que reportam a 2009, as emissões de gases com efeito de estufa, sem contabilização das emissões de alteração do uso do solo e florestas, foram estimadas em cerca de 74,6 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente. “No ano de 2009 as emissões nacionais estavam assim cerca de 2,4 por cento abaixo da Quantidade Atribuída a Portugal no âmbito do Protocolo de Quioto e a este valor haverá ainda que abater o efeito dos sumidouros florestais e agrícolas de carbono”, sublinha a Comissão.

As estimativas do sector alteração do uso do solo e florestas “sofreram uma revisão substancial em 2010, sendo este sector considerado como um sumidouro líquido de dióxido de carbono em todo o período (1990-2009), a que corresponde um sequestro de 14.1 milhões de toneladas em 2009”.

O sector da energia, incluindo transportes, mantém-se em 2009 como o principal sector responsável pelas emissões de gases com efeito de estufa, representando 72 por cento das emissões nacionais e apresentando um crescimento face a 1990 de cerca de 33 por cento.

No caso dos transportes, que é o sector onde houve o maior aumento das emissões, houve uma estabilização e até redução nos anos mais recentes, o que poderá em parte ser explicado pelo aumento do preço dos combustíveis que leva a que os portugueses se contenham no uso da sua viatura mas sobretudo devido à incorporação de biocombustíveis no gasóleo rodoviária.

Lido no Público : National Geographic elege Açores como um dos dez melhores destinos de Verão

Os Açores estão entre os dez melhores destinos para o Verão, segundo a "National Geographic Traveler". A revista de viagens da conceituada instituição seleccionou locais "fora do comum", "escondidos" em vários pontos do mundo.

A "National Geographic Traveler" colocou os Açores na 8.ª posição, descrevendo-os como um "arquipélago intocado", onde a "remota localização ajudou a limitar o turismo e o desenvolvimento". O destaque vai para os ex-líbris naturais das ilhas açorianas, onde se podem encontrar "verdes montanhas vulcânicas, termas, montes cobertos de hortênsias e vinhas", mas não se esquecem as típicas cidades de casas brancas, os moinhos de vento e as estradas de paralelos.

A National Geographic dá ainda especial destaque a três ilhas - Terceira, Faial e São Miguel, e relembra o cozido das Furnas e a época das festas açorianas, com "numerosas procissões religiosas e eventos culturais".

O texto é ilustrado como uma imagem de banhistas nas piscinas naturais de São Lourenço, Vila do Porto, Santa Maria.

A lista contempla ainda Muskoka Cottage Country (Canadá), Patagónia (Argentina), Cardiff(Reino Unido), Arquipélago de Estocolmo (Suécia), Roatan (Honduras), Ístria (Croácia), Ilhas de San Juan e Mineápolis (ambos nos EUA).

Divulgação das regras de voto antecipado junto de todos os potenciais utilizadores deste regime especial de voto

Lembra-se que o voto dos portugueses residentes no estrangeiro e inscritos nos cadernos eleitorais abertos junto do posto consular votam por correspondência nas Legislativas de 5 de Junho de 2011.

No entanto, existem categoria de eleitores residentes em Portugal que se encontram deslocados no estrangeiro, podendo exercer o seu direito de voto junto das representações diplomáticas e consulares portuguesas.

Esta mensagem visa esclarecer as modalidades deste regime especial de voto.

Assim, transcreve-se os artigos da Lei Eleitoral para a Assembleia da República que versam esta matéria :

Artigo 79º-A
Voto antecipado
1. Podem votar antecipadamente:
a) Os militares que no dia da realização da eleição estejam impedidos de se deslocar à assembleia de voto por imperativo inadiável de exercício das suas funções;
b) Os agentes de forças e serviços que exerçam funções de segurança interna nos termos da lei, bem como os bombeiros e agentes da protecção civil, que se encontrem em situação análoga à prevista na alínea anterior;
c) Os trabalhadores marítimos e aeronáuticos, bem como os ferroviários e os rodoviários de longo curso, que, por força da sua actividade profissional, se encontrem presumivelmente embarcados ou deslocados no dia da realização da eleição;
d) Os eleitores que, por motivo de doença, se encontrem internados ou presumivelmente internados em estabelecimento hospitalar e impossibilitados de se deslocar à assembleia de voto;
e) Os eleitores que se encontrem presos e não privados de direitos políticos.
f) Os membros que representem oficialmente selecções nacionais, organizadas por federações desportivas dotadas de estatuto de utilidade pública desportiva, e se encontrarem deslocados no estrangeiro, em competições desportivas, no dia da realização da eleição.
g) Todos os eleitores não abrangidos pelas alíneas anteriores que, por força da representação de qualquer pessoa colectiva dos sectores público, privado ou cooperativo, das organizações representativas dos trabalhadores ou de organizações representativas das actividades económicas, e, ainda, outros eleitores que, por imperativo decorrente das suas funções profissionais, se encontrem impedidos de se deslocar à assembleia de voto no dia da eleição.
2. Os eleitores referidos nas alíneas a), b) e g) do número anterior, quando deslocados no estrangeiro entre o 12.º dia anterior ao da eleição e o dia da eleição, podem exercer o direito de voto junto das representações diplomáticas, consulares ou nas delegações externas dos ministérios e instituições públicas portuguesas previamente definidas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, nos termos do artigo 79.º-D.
3. Podem ainda votar antecipadamente os estudantes de instituições de ensino inscritos em estabelecimentos situados em distrito, região autónoma ou ilha diferentes daqueles por onde se encontram inscritos no recenseamento eleitoral.
4. Podem ainda votar antecipadamente os seguintes eleitores recenseados no território nacional e deslocados no estrangeiro:
a) Militares, agentes militarizados e civis integrados em operações de manutenção de paz, cooperação técnico-militar ou equiparadas;
b) Médicos, enfermeiros e outros cidadãos integrados em missões humanitárias, como tal reconhecidas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros;
c) Investigadores e bolseiros em instituições universitárias ou equiparadas, como tal reconhecidas pelo ministério competente;
d) Estudantes inscritos em instituições de ensino ou que as frequentem ao abrigo de programas de intercâmbio;
e) Eleitores doentes em tratamento no estrangeiro, bem como os seus acompanhantes.
5. Podem ainda votar antecipadamente os cidadãos eleitores cônjuges ou equiparados, parentes ou afins que vivam com os eleitores mencionados no número anterior.
6. Só são considerados os votos recebidos na sede da junta de freguesia correspondente à assembleia de voto em que o eleitor deveria votar até ao dia anterior ao da realização da eleição.
7. As listas concorrentes à eleição podem nomear, nos termos gerais, delegados para fiscalizar as operações de voto antecipado, os quais gozam de todas as imunidades e direitos previstos no artigo 50º-A.

Artigo 79º-B
Modo de exercício do direito de voto antecipado por razões profissionais
1. Os eleitores que se encontrem nas condições previstas nas alíneas a), b), c), f) e g) do n.º 1 do artigo anterior podem dirigir-se ao presidente da câmara do município em cuja área se encontrem recenseados, entre o 10.º e o 5.º dias anteriores ao da eleição, manifestando a sua vontade de exercer antecipadamente o direito de sufrágio.
2 - O eleitor identifica-se pela forma prevista nos n.ºs 1 e 2 do artigo 96.º e faz prova do impedimento invocado através de documento assinado pelo seu superior hierárquico, pela entidade patronal ou outro que comprove suficientemente a existência do impedimento ao normal exercício do direito de voto.
3. O presidente da câmara municipal entrega ao eleitor um boletim de voto e dois sobrescritos.
4. Um dos sobrescritos, de cor branca, destina-se a receber o boletim de voto e o outro, de cor azul, a conter o sobrescrito anterior e o documento comprovativo a que se refere o n.º 2.
5. O eleitor preenche o boletim em condições que garantam o segredo de voto, dobra-o em quatro, introduzindo-o no sobrescrito de cor branca, que fecha adequadamente.
6. Em seguida, o sobrescrito de cor branca é introduzido no sobrescrito de cor azul juntamente com o referido documento comprovativo, sendo o sobrescrito azul fechado, lacrado e assinado no verso, de forma legível, pelo presidente da câmara municipal e pelo eleitor.
7. O presidente da câmara municipal entrega ao eleitor recibo comprovativo do exercício do direito de voto de modelo anexo a esta lei, do qual constem o seu nome, residência, número do bilhete de identidade e assembleia de voto a que pertence, bem como o respectivo número de inscrição no recenseamento, sendo o documento assinado pelo presidente da câmara e autenticado com o carimbo ou selo branco do município.
8. O presidente da câmara municipal elabora uma acta das operações efectuadas, nela mencionando expressamente o nome, o número de inscrição e a freguesia onde o eleitor se encontra inscrito, enviando cópia da mesma à assembleia de apuramento geral.
9. O presidente da câmara municipal envia, pelo seguro do correio, o sobrescrito azul à mesa da assembleia de voto em que o eleitor deveria exercer o direito de sufrágio, ao cuidado da respectiva junta de freguesia, até ao 4º dia anterior ao da realização da eleição.
10. A junta de freguesia remete os votos recebidos ao presidente da mesa da assembleia de voto até à hora prevista no artigo 41º.

Artigo 79º-C
Modo de exercício do direito de voto antecipado por doentes internados e por presos

1. Os eleitores que se encontrem nas condições previstas nas alíneas d) e e) do n.º 1 do artigo 79.º-A podem requerer, por meios electrónicos ou por via postal, ao presidente da câmara do município em que se encontrem recenseados, até ao 20.º dia anterior ao da eleição, a documentação necessária ao exercício do direito de voto, enviando cópias do seu cartão de cidadão ou bilhete de identidade e cartão ou certidão de eleitor, juntando documento comprovativo do impedimento invocado, passado pelo médico assistente e confirmado pela direcção do estabelecimento hospitalar, ou documento emitido pelo director do estabelecimento prisional, conforme os casos.
2. O presidente da câmara envia, por correio registado com aviso de recepção, até ao 17.º anterior ao da eleição:
a) Ao eleitor, a documentação necessária ao exercício do direito de voto, acompanhada dos documentos enviados pelo eleitor;
b) Ao presidente da câmara do município onde se encontrem eleitores nas condições definidas no n.º 1, a relação nominal dos referidos eleitores e a indicação dos estabelecimentos hospitalares ou prisionais abrangidos.
3. O presidente da câmara do município onde se situe o estabelecimento hospitalar ou prisional em que o eleitor se encontre internado notifica, até ao 16.º dia anterior ao da eleição, as listas concorrentes à eleição para cumprimento dos fins previstos no n.º 3 do artigo 79º-A, dando conhecimento de quais os estabelecimentos onde se realiza o voto antecipado.
4. A nomeação de delegados das listas deve ser transmitida ao presidente da câmara até ao 14.º dia anterior ao da eleição.
5. Entre o 10.º e o 13.º dias anteriores ao da eleição, o presidente da câmara municipal em cuja área se encontre situado o estabelecimento hospitalar ou prisional com eleitores nas condições do n.º 1, em dia e hora previamente anunciados ao respectivo director e aos delegados das listas, desloca-se ao mesmo estabelecimento, a fim de ser dado cumprimento, com as necessárias adaptações, ditadas pelos constrangimentos dos regimes hospitalares ou prisionais, ao disposto nos n.ºs 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9 do artigo anterior.
6. O presidente da câmara pode excepcionalmente fazer-se substituir, para o efeito da diligência prevista no número anterior, por qualquer vereador do município devidamente credenciado.
7. A junta de freguesia destinatária dos votos recebidos remete-os ao presidente da mesa da assembleia de voto até à hora prevista no artigo 41.º.

Artigo 79.º-D
Modo de exercício do direito de voto antecipado por eleitores deslocados no estrangeiro

1. Os eleitores que se encontrem nas condições previstas nos n.ºs 2, 4 e 5 do artigo 79.º-A podem exercer o direito de sufrágio entre o 12.º e o 10.º dias anteriores à eleição, junto das representações diplomáticas, consulares ou nas delegações externas dos ministérios e instituições públicas portuguesas previamente definidas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, nos termos previstos no artigo 79.º-B, sendo a intervenção do presidente da câmara municipal da competência do funcionário diplomático designado para o efeito, a quem cabe remeter a correspondência eleitoral pela via mais expedita à junta de freguesia respectiva.
2. No caso dos eleitores referidos nas alíneas a) e b) do n.º 4 do artigo 79.º-A, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, se reconhecer a impossibilidade da sua deslocação aos locais referidos no número anterior, designa um funcionário diplomático, que procede à recolha da correspondência eleitoral, no período acima referido.
3. As operações eleitorais previstas nos números anteriores podem ser fiscalizadas pelas listas que nomeiem delegados até ao 16.º dia anterior à eleição.

Artigo 79.º-E
Modo de exercício do voto por estudantes

1. Os eleitores que se encontrem nas condições previstas no n.º 3 do artigo 79.º-A podem requerer, por meios electrónicos ou por via postal, ao presidente da câmara do município em que se encontrem recenseados a documentação necessária ao exercício do direito de voto no prazo e nas condições previstas nos n.ºs 1 e 2 do artigo 79.º-C.
2. O documento comprovativo do impedimento do eleitor consiste numa declaração emitida pela direcção do estabelecimento de ensino que ateste a sua admissão ou frequência.
3. O exercício do direito de voto faz-se perante o presidente da câmara do município onde o eleitor frequente o estabelecimento de ensino, no prazo e termos previstos nos n.ºs 3 a 7 do artigo 79.º-C.

Artigo 80º
Unicidade do voto

A cada eleitor só é permitido votar uma vez.

24 de abril de 2011

Lido no DN : Cavaco, Sampaio, Soares e Eanes juntos em Belém

Numa cerimónia inédita, o Presidente da República e os três outros chefes de Estado eleitos pós-25 de Abril juntam-se segunda-feira no Palácio de Belém para assinalar o 37.º aniversário da Revolução.

Será a primeira vez que o 25 de Abril será assinalado desta forma no Palácio de Belém, numa cerimónia que acabará assim por 'substituir' a tradicional sessão solene comemorativa da 'Revolução dos Cravos' na Assembleia da República, que este ano foi cancelada depois da dissolução do Parlamento. O dia começará cedo no Palácio de Belém, com abertura dos jardins ao público logo pelas 10:00. Meia hora depois começará o primeiro concerto do dia, pela Banda da Guarda Nacional Republicana, no Jardim da Cascata. Ao meio-dia, no Pátio dos Bichos terá início a sessão comemorativa do 25 de Abril, com intervenções dos três chefes de Estado eleitos pós-25 de Abril, Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio, além de um discurso do actual Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

Depois de um breve momento musical pelos pianistas Mário Laginha e Bernardo Sassetti, Cavaco Silva irá agraciar sete personalidades, entre os quais o antigo presidente da Assembleia da República Barbosa de Melo, e condecorará o Banco Alimentar Contra a Fome como membro honorário da Ordem da Liberdade. Cavaco Silva, Jorge Sampaio, Mário Soares e Ramalho Eanes almoçam, depois, juntos no Palácio de Belém. A esta cerimónia irão assistir como convidados o primeiro-ministro, José Sócrates, várias instâncias do Estado, os líderes do PSD e do CDS-PP, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, representantes dos partidos com assento parlamentar, além de entidades ligadas ao 25 de Abril. Durante a tarde, os jardins do Palácio de Belém continuarão abertos ao público, que poderá visitar várias exposições, além de assistir a actuações do Grupo Coral "Os Ceifeiros de Cuba", do Grupo de Concertinas da Associação Cultural e Recreativa "As Palmeiras", de Castelo Branco, do Grupo de Cavaquinhos da Casa do Concelho de Arcos de Valdevez, além do concerto "Grândolas", por Bernardo Sassetti e Mário Laginha.

Ainda durante a tarde, irá realizar-se o habitual desfile na Avenida da Liberdade, que contará com a presença de vários representantes do PS, Bloco de Esquerda, PCP e Verdes. Os jardins do Palácio de São Bento, residência oficial do primeiro-ministro, também voltarão a ser abertos ao público entre as 15:00 e a 18:00, mas ao contrário do que tem acontecido nos últimos anos não haverá animação no local devido à contenção orçamental, nem está previsto que José Sócrates apareça. A Assembleia da República estará igualmente aberta ao público entre as 14:30 e as 18:00, com visitas livres e guiadas, uma oficina pedagógica e um espaço dedicado aos mais jovens.

23 de abril de 2011

“Bom Povo Português” de Rui Simões na sala Vasco da Gama, dia 30 de Abril, às 15h

25 de Abril: O cinema estava lá, mas agora ninguém o vê

Lisboa, 23 abr (Lusa) – A 25 de Abril de 1974, numa época em que os diretos televisivos eram ainda uma miragem, foi o cinema que saiu à rua. Mas, hoje, os filmes que registaram as primeiras imagens em movimento da Revolução são raramente vistos.

Os jornalistas foram ao encontro dos acontecimentos, armados de blocos, microfones e máquinas fotográficas. Mas é aos cineastas que se deve agradecer as imagens simbólicas que passam e repassam a cada ano que faz mais um ano a democracia.

Fernando Matos Silva é um deles. Um dos realizadores do coletivo Cinequipa, que fez “As Armas e o Povo” (1975), entre outros, contou à agência Lusa, recentemente, como foi dos “primeiros a ir para a rua filmar”, com o irmão, uma Paillard Bolex e bobines de 30 metros.

“Todas as filmagens até ao meio dia do 25 de Abril só existem porque arriscámos filmar e foram filmadas com muito prazer, muito amor, muita força e muita ideologia”, lembrou, acrescentando que, na altura, os filmes foram mostrados porque os próprios realizadores foram “projectá-los pelo país fora com máquinas de 6 mm”.

Como “era tudo assinado coletivamente”, muitas das imagens destes filmes “passam todos os anos [na televisão] completamente desgarradas e deixaram de ter autoria”, criticou, durante a última edição da Panorama – Mostra do Documentário Português.

Hoje, é difícil apanhar estes filmes em salas de cinema, quanto mais na televisão. E o resultado é que acabam por se ver sempre os mesmos planos da chegada da liberdade.

“É uma pena que esses filmes não passem. Devíamos trabalhar muito mais as memórias que estão guardadas na Cinemateca e mesmo na televisão”, defende a jornalista e documentarista Diana Andringa.

Mas, sublinha, “não há interesse em que se cultive esta memória”, diz-se que é melhor “esquecer esses anos esquisitos, em que as pessoas gritavam muito e se insultavam e faziam manifestações”.

“Querem-nos infantilizar a todos muito, desmemoriando-nos”, critica. Em Portugal, diz, “há uma amnésia” – “imposta” e “fomentada”. À qual o cinema, como garante da memória coletiva, não escapa.

“Querem-nos impor uma forma de olhar para as coisas. Estamos muito dominados, tantos anos passados sobre o 25 de Abril, por uma mentalidade salazarista. Criou-se a ideia de que temos de viver em consenso, quando o consenso não existe”, compara.

Ora, acredita, “não se cresce sem olhar o passado” e é para isso que servem os documentaristas, “para lembrar que as coisas aconteceram”.

Rui Simões, realizador de “Deus, Pátria, Autoridade” (1975) e “Bom Povo Português” (1980), reconhece que em 1974 havia “outra militância”, no país e no cinema.

“Não sei se o cinema tem estado à altura do país ou se o país tem estado à altura do cinema. Acho que o cinema é maltratado (…). O poder não gosta do cinema, a cultura não gosta do cinema, os portugueses não gostam do cinema. O que era interessante era passarmos todos a gostar do cinema, sobretudo do feito por portugueses”, reclama.

A realizadora Susana de Sousa Dias, que tem feito nascer filmes do arquivo da PIDE (“48”, por exemplo), reconhece que se estava a viver “um acontecimento excecional”, mas lamenta que se tenha perdido o “carácter interventivo” e que se faça pouco documentário “sobre os assuntos que estão a acontecer”.

Em todos os filmes do pós-Abril, há um jornalista incontornável: Adelino Gomes. “Toda a gente estava a descobrir a liberdade” e era tudo vivido com “intensidade de cem por cento”, afirma, acrescentando: era “um momento de aprendizagem, de euforia”, que, por isso, “não era possível aguentar por muito tempo”.

Os jornalistas, de um dia para o outro, passaram de uma "jornada de trabalho sob a censura" para a liberdade. “Eu compreendo que hoje não se viva em PREC [Período Revolucionário Em Curso]. Nalguns aspetos, até acho que é bom que não se viva em PREC. Agora, hoje, sobretudo nos últimos tempos, vivemos quase no anti-PREC. Só notícias más, de recuos”, confronta.

“O engajamento passou um bocadinho de moda”, diz Diana Andringa, que assume ter “um ponto de vista” quando faz um filme sobre a Guerra Colonial, por exemplo. “Vivemos nesta coisa mansa em que parece mal discutir-se ideologias. Parece que quem discute ideologias é assim um bocado atrasado, a ‘soixante-huitard’ retardado, como por vezes me chamam”, ironiza.

22 de abril de 2011

Futebol: Inglaterra - Raul Meireles eleito o melhor do ano pelos adeptos ingleses


Londres, 21 abr (Lusa) - O português Raul Meireles foi hoje eleito Jogador do Ano pelos adeptos da liga inglesa, que votaram no prémio da Associação dos Futebolistas Profissionais “PFA Fans’ Player of the Year”.

No seu ano de estreia no muito competitivo campeonato inglês, o médio do Liverpool deixou para trás Samir Nasri (Arsenal), Dimitar Berbatov (Manchester United), Fernando Torres (Liverpool/Chelsea) e David Luiz (Chelsea), considerados favoritos pela soma das votações mensais que a mesma associação disponibilizou aos adeptos por via da votação no seu sítio oficial.

A entrada do treinador Kenny Dalglish, que substituiu Roy Hodgson a meio da temporada, terá sido fundamental para a maior relevância de Raul Meireles na dinâmica e recuperação do Liverpool nos últimos meses.

O internacional luso contribuiu para essa recuperação com cinco golos, várias assistências e exibições qualificadas como decisivas para a reentrada da equipa nos lugares de acesso às competições europeias, depois de uma primeira metade da época muito aquém das expetativas.

Raul Meireles, que no início da época se transferiu do FC Porto para o emblemático clube inglês por 13 milhões de euros, já havia conquistado o prémio mensal de fevereiro.

Um bom final de temporada para o português, que a começou com a conquista da Supertaça Cândido de Oliveira, ao serviço do FC Porto, tendo ajudado na vitória frente ao Benfica, por 2-0, em Aveiro.

O português Cristiano Ronaldo venceu o mesmo prémio em 2007 e 2008, ao serviço do Manchester United.

21 de abril de 2011

Lido no Público : Livraria Bertrand do Chiado é a mais antiga do mundo

Desde que abriu em 1732, a Livraria Bertrand do Chiado nunca deixou de funcionar. É por isso que entrou para o Guiness como a livraria mais antiga do mundo ainda em actividade.

A Livraria Bertrand do Chiado foi reconhecida pelo Guiness como a livraria mais antiga do mundo ainda em actividade. O atestado, certificado pelo Guiness Book of Records, está exposto desde ontem à noite no interior da loja.

A livraria Bertrand do Chiado está em funcionamento desde 1732 e o processo de candidatura a livraria mais antiga do mundo obedeceu “a uma rigorosa prestação de provas”. Foi necessário confirmar que a actividade da livraria não foi interrompida ao longo destes anos e para isso contribuíram o historiador contemporâneo e colaborador da LisbonWalker, José Antunes; o sociólogo Miguel Cabrita; Ana Salvado, que no momento da candidatura era subdirectora do Instituto Nacional para a Reabilitação; o escritor, historiador e crítico de arte José Augusto-França, entre outros.

A primeira Bertrand, fundada por Pedro Faure em 1732, abriu portas na Rua Direita do Loreto, em Lisboa. Mais tarde, em 1755, quando já era o genro de Faure, Pierre Bertrand que dirigia a livraria foi instalar-se junto da Capela de Nossa Senhora das Necessidades por causa do Grande Terramoto. Dezoito anos depois, em 1773, a Bertrand voltou a abrir as portas na já reconstruída baixa pombalina. No texto de José António Saraiva, “Bertrand – a história de uma editora” é-nos dito pelo historiador que a Bertrand teve 11 nomes e conheceu quatro moradas.

Esta novidade, de a Livraria Bertrand do Chiado ser a mais antiga do mundo, foi dada ontem durante um jantar que juntou livreiros, editores, autores e jornalistas na loja do Chiado. Um espaço ao lado da livraria, o número 15 da Rua Anchieta, foi recentemente recuperado e passará agora a chamar-se a Sala do Autor onde se realizarão lançamentos de livros e tertúlias como a "Ler No Chiado". Foi nessa sala que José Fontana, que foi durante 16 anos empregado da Bertrand do Chiado, primeiro como livreiro e depois como gerente, se suicidou por estar doente com tuberculose. Personagem real que inspirou o romance “Na próxima semana, talvez”, de Alberto Nessi, e que já está à venda nas livrarias.

A rede de livrarias Bertrand apresentou ontem também um “Manifesto” que Paulo Oliveira, do Conselho de Administração, definiu como “um compromisso com o livro e com o leitor”. O escritor valter hugo mãe e o editor Diogo Madre Deus (editor da Cavalo de Ferro, fundou em 2005 com Romana Petri, a Cavallo di Ferro editore, com sede em Roma) leram durante a cerimónia o manifesto “Somos Livros”: “Somos a tinta fresca em folha áspera. A capa dura. Aquilo que procura. Somos a História. Desde sempre. O terramoto de 55 e a revolução de 74. Somos todos os nomes. As pessoas do Pessoa. Alexandre Herculano e Ramalho Ortigão.”

Conta-se que nas salas da livraria, ninguém ousava invadir o cantinho de Aquilino Ribeiro e ainda não há muito era possível encontrar naqueles corredores Fernando Namora ou José Cardoso Pires. A Bertrand Livreiros é o nome de uma rede com 53 livrarias espalhadas pelo país e integra formalmente o Grupo Porto Editora desde 30 de Junho do ano passado.

Lu dans le Figaro d'aujourd'hui : Cristina Branco et les nouvelles voix du fado

Ce style traditionnel portugais revient au premier plan grâce à de jeunes talents, plus de dix ans après la disparition d'Amalia Rodrigues.

Cristina Branco est depuis une quinzaine d'années une des plus brillantes ambassadrices de ce qu'il convient d'appeler le nouvel âge d'or du fado. Cette musique portugaise traditionnelle traverse actuellement une période faste de son histoire. Bon nombre de nouveaux talents émergent, laissant apparaître une scène pleine de vitalité et de dynamisme.

«On peut parler d'un phénomène de mode, expliquait Cristina Branco récemment, à Paris. Beaucoup de jeunes chanteurs ont fait leur apparition ces dernières années. Pour ma part, je ne me considère pas comme une fadista typique, plutôt comme une interprète qui chante aussi des fados .» Son nouvel album, Fado tango (chez Universal), opère un rapprochement entre tradition lisboète et culture argentine. «Ces deux styles ont beaucoup en commun, si on écoute attentivement. En effectuant des recherches sur le tango, j'en ai trouvé qui pourraient passer pour des fados. Il y a une proximité dans les textes également. Sur ce disque, je me suis appliquée à masquer la misogynie du tango », détaille la trentenaire. Son album montre à quel point le fado a su se renouveler en se frottant à d'autres esthétiques, comment il est parvenu à se moderniser sans se renier. Récemment, la star américaine Prince déclarait que ce genre musical pourrait bien devenir la prochaine sensation mondiale. Et il est prévu que le fado soit inscrit prochainement au patrimoine immatériel de l'Unesco.

En juin prochain, Cristina Branco partagera pour la première fois la scène avec ­Mariza, dans le cadre d'un concert géant, à Lisbonne, avec un grand orchestre. Native du Mozambique, cette dernière a effectué de subtils métissages - notamment avec la musique africaine - au cours de ces dernières années, avant de revenir à un répertoire plus classique dans l'album Fado tradicional, qui vient de paraître (chez EMI). Elle incarne une génération décomplexée de l'héritage d'Amalia Rodrigues, reine incontestée du genre, dont le règne a pris fin avec sa disparition, en 1999.

«Amalia a laissé une grande trace, elle incarne une image divine aujourd'hui encore, témoigne Cristina Branco. Il aura fallu la dernière dizaine d'années pour qu'émergent des voix prêtes à renouer avec une forme de fado plus académique, après les mélanges du début de ce siècle. À 30 ans, Ana Moura fait figure de nouvel espoir de la scène portugaise. Protégée de Prince, qui n'hésite pas à voyager pour assister à ses concerts - on l'a vu admirer la jeune femme à La Cigale en mai 2009 -, elle a aussi collaboré avec les Rolling Stones. Plus jeune que Cristina Branco ou Mariza, elle est aussi la plus traditionnelle de toutes ces interprètes, sacrifiant rarement à l'instrumentation typique du style.

Parallèlement à toutes ces femmes, un certain nombre d'artistes masculins ont également émergé sur la scène. Ainsi, Antonio Zambujo, 35 ans et déjà auteur d'une poignée de disques remarquables. Célébré dans son pays, il a joué en Europe, recueillant un beau succès. Mais c'est encore au Brésil qu'il exerce la plus forte influence. Maître de la musique populaire brésilienne, Caetano Veloso ne tarit pas d'éloges à son égard. Le sexagénaire a comparé son timbre à celui du maître Joao Gilberto, fondateur de la bossa-nova à la fin des années 1950. Plus romantique, parfois proche des harmonies du jazz, Zambujo est déjà une voix qui compte.

C'est alors que le Portugal traverse une crise économique et politique majeure que sa musique vit une période de grande créativité. «Le fado, c'est la vie même, affirme Cristina Branco. Il contient presque tous les sentiments humains .» Identifié comme une musique à la tonalité sombre et dramatique, le fado se pare avec ses nouveaux interprètes de couleurs plus variées. Sur son album, Cristina Branco revisite ainsi Jacques Brel et Charles ­Baudelaire, dont elle adapte L'Invitation au voyage, appel au mouvement qui pourrait faire office de profession de foi chez cette artiste qui refuse le surplace et assume sa part de sensualité. «Le thème de la dernière chanson de mon album est l'orgasme. C'est sans doute le plus loin que je puisse aller.»

20 de abril de 2011

Cinema:Realizador João Pedro Rodrigues no júri de dois prémios do Festival de Cannes


Lisboa, 20 abr (Lusa) – O realizador português João Pedro Rodrigues fará parte de um júri que vai decidir dois dos prémios da 64.ª edição do Festival de Cinema de Cannes, a realizar-se entre 11 e 22 de maio, anunciou hoje a organização.

João Pedro Rodrigues partilhará o júri com o realizador francês Michel Gondry, a atriz e produtora francesa Julie Gayet, a realizadora e produtora austríaca Jessica Hausner e o realizador romeno Corneliu Porumboiu.

Este júri vai encarregar-se de escolher 3 de 16 obras enviadas por escolas e universidades de todo o mundo e selecionadas pela Cinéfondation – criada pelo Festival de Cannes em 1998 para “inspirar e apoiar a próxima geração de cineastas internacionais”, segundo consta no sítio oficial do festival –, numa cerimónia a realizar-se a 20 de maio.

Entre os filmes selecionados está "A Viagem", curta-metragem escrita e realizada pelo português Simão Cayatte.

O mesmo júri vai ainda eleger a melhor curta-metragem desta edição do festival de cinema francês, a ser anunciada no dia 22, quando decorre a cerimónia de encerramento.

João Pedro Rodrigues teve já duas participações com filmes seus em edições anteriores de Cannes: “Odete” (2005) passou na Quinzaine des Réalisateurs e “Morrer como um homem” (2009) foi exibido na secção Un Certain Regard.

A participação portuguesa na 64.ª edição do Festival de Cannes integra ainda a curta-metragem "Nuvem", do realizador luso-suíço Basil da Cunha, que será exibida na Quinzena dos Realizadores.

Entretanto, a organização do Festival de Cinema de Cannes fechou também o júri da Palma de Ouro, que já se sabia ser presidido por Robert de Niro.

É composto por Martina Gusman (atriz e produtora argentina); Nansun Shi (produtor de Hong Kong/China); Uma Thurman (atriz norte-americana); Linn Ullmann (argumentista e crítica norueguesa); Olivier Assayas (realizador francês); Jude Law (ator britânico); Mahamat Saleh Haroun (realizador chadiano); e Johnnie To (realizador e produtor de Hong Kong/China).

19 de abril de 2011

Cinema: Curta-metragem "Nuvem", de Basil da Cunha, selecionada para Cannes

Lisboa, 19 abr (Lusa) - A curta-metragem "Nuvem", do realizador luso-suíço Basil da Cunha, foi selecionada para a Quinzena dos Realizadores, no âmbito do Festival de Cinema de Cannes, em maio em França, revelou a produtora O Som e a Fúria.

O filme foi produzido por Portugal e pela Suíça e foi rodado no verão de 2010 em Lisboa.

Nuvem é um rapaz que vive num bairro da lata crioulo em Lisboa.
"Com pouca inclinação para o trabalho, gosta da companhia dos cães e dos palhaços. Perante a indiferença da empregada de bar pela qual está apaixonado, Nuvem vira-se para a busca do misterioso peixe-lua", refere a sinopse do filme.

Basil da Cunha, de 25 anos, é filho de mãe suíça e pai português.

Fez três curtas-metragens, estudou cinema na Escola de Artes e Design de Genebra, no âmbito da qual realizou "A Côté", exibido em 2009 no festival de Locarno, na Suíça, e premiado no ano seguinte no festival de curtas de Vila do Conde.

A 64.ª edição do festival decorrerá de 11 a 22 de maio.

Além de "Nuvem", o filme "A Viagem", do realizador Simão Cayatte, foi selecionado para a secção "Cinéfondation", do festival de Cinema de Cannes.

Justiça: Informação Predial Simplificada on-line a partir de hoje

Lisboa, 19 abr (Lusa) - A partir de hoje é possível a qualquer cidadão ou empresa aceder a informação predial através da Internet, uma medida de simplificação, desmaterialização e desformalização de atos e processos na área do Registo Predial e de atos notariais conexos.

A Informação Predial Simplificada consiste na disponibilização online de uma informação não certificada, permanentemente atualizada, que contém a descrição do prédio e a identificação do proprietário, permitindo a qualquer cidadão verificar, de forma mais simples e mais barata, se se encontram registadas sobre um determinado prédio hipotecas, penhoras ou quaisquer outros ónus ou encargos, explica o Ministério da Justiça em comunicado.

O projeto Informação Predial Simplificada - inscrito no programa de simplificação administrativa SIMPLEX - foi apresentado hoje de manhã, no Instituto dos Registos e Notariado (IRN), em Lisboa, numa cerimónia com a presença do secretário de Estado da Justiça e da Modernização Judiciária, José Magalhães, e da secretária de Estado da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques.

Para o secretário de Estado da Justiça e da Modernização Judiciária, este é "mais um fruto palpável da aposta na inovação e na excelência do serviço público aos cidadãos e empresas, dando continuidade às ações de modernização do Instituto dos Registos e do Notariado", segundo o comunicado.

Trata-se, para José Magalhães, de um "um movimento imparável, que tem permitido ganhos de eficiência na economia e que se insere num vasto processo de simplificação da Administração Pública".

O acesso à Informação Predial Simplificada efetua-se mediante a disponibilização de um código de acesso que permite a visualização da informação através da Internet.

O pedido de acesso à Informação Predial Simplificada pode fazer-se através do site www.predialonline.mj.pt ou verbalmente, em qualquer serviço com competência para a prática de atos de Registo Predial.

A portaria que regula a Informação Predial Simplificada prevê ainda que, mediante protocolo com o IRN, possam ser estabelecidos montantes e formas de pagamento específicos com entidades, públicas ou privadas, que irão ter um elevado nível de utilização deste serviço, designadamente as que exercem a sua atividade no âmbito do sector imobiliário.

Nesse sentido, foi assinado, esta tarde, um protocolo com a Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), que prevê o acesso, com condições mais vantajosas, das empresas associadas da APEMIP à Informação Predial Simplificada.

Media: Primeiro canal de televisão português dedicado à cultura estreia na segunda-feira

Porto, 19 abr (Lusa) – O primeiro canal de televisão português dedicado à cultura e criatividade, estreia na segunda-feira na posição 180 da grelha digital da Zon, com seis horas diárias de programação, foi hoje divulgado pela OSTV.

A empresa, sedeada no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, venceu em 2010 o Prémio Nacional das Indústrias Criativas Unicer/Serralves, precisamente com o projeto de lançamento do primeiro canal de televisão colaborativo e interativo na área da cultura.

Pensado numa lógica “low cost”, o canal 180 tem uma equipa de dez pessoas, nenhum estúdio, câmara de filmar ou apresentador, e assenta numa lógica de colaboração com as instituições culturais.
“Mais do que produzir uma grande quantidade de conteúdos, queremos procurar, encontrar e atrair conteúdos, criando um contexto qualitativo interessante. Temos uma equipa muito concentrada em criar uma boa experiência de conteúdos mais do que produzir”, esclareceu João Vasconcelos, fundador e diretor geral da OSTV, em declarações à Lusa.

O responsável considera que “não é a captação e produção de novos conteúdos que faz falta”.

A necessidade, diz, “é mais a forma” como se agrega, comunica e quais as horas de programação desses conteúdos.

A motivação da empresa é mostrar conteúdos culturais, “que não se conseguem encontrar na televisão”, acrescenta João Vasconcelos.

Quando for para o ar, na segunda-feira a partir das 20:00, o “180” chegará também a outras plataformas – website, facebook, iPad e iPhone.

O público-alvo do canal tem entre 18 e 35 anos, das classes A, B e C1, e são pessoas “informadas e qualificadas, culturalmente ativas, viajantes, artistas, criadores, cinéfilos, melómanos e apreciadores de arte”.

A programação prolonga-se todos os dias até às 02:00, incluindo videoclips, um magazine cultural e um destaque diário (que pode ser um documentário ou um concerto, por exemplo).

O magazine “vive muito da colaboração com as instituições” culturais, o que “permite grandes poupanças”, refere João Vasconcelos.

“Depois, temos os destaques diários, sobretudo no formato documentário. Alguns são adquiridos, outros fruto de colaboração com artistas ou com marcas comerciais”, acrescenta, explicando que o canal se paga “com publicidade”.

Os documentários “Rip: Remix Manifesto”, “Lusofonia a (R)Evolução”, “Uma na Bravo outra na Ditadura”, “12 Histórias sobre John Zorn”, “Inside Outside” e “We ar moving in” são alguns dos destaques para a primeira semana de programação, dedicada ao tema Revolução.

Imobiliário: Mediadores vão passar a ter acesso a informação predial através da Internet

Lisboa, 19 abr (Lusa) – A associação que representa os mediadores mobiliários assina hoje um protocolo com o Instituto dos Registos e Notariado (IRN) que permitirá o acesso à informação predial através da Internet, de forma “mais rápida e segura”.

O presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), Luís Lima, disse à Lusa que o protocolo “vai dar acesso de forma mais rápida e segura à informação predial”, o que “vai trazer muito mais segurança à transação”.

Com a assinatura desde protocolo, as empresas de mediação imobiliária passarão a ter acesso à descrição dos prédios e à identificação dos seus proprietários através da Internet.

Luís Lima disse que o acesso a estes dados através da Internet vai simplifica o trabalho dos mediadores que têm de verificar um conjunto de dados antes da assinatura do contrato de mediação.

O protocolo será assinado hoje, às 15:00, nas instalações da APEMIP em Lisboa.

Chernobil/25 anos: Betão para sarcófago de reator é “português”

Kiev, 19 abr (Lusa) – O betão do novo sarcófago para o quarto reator da central de Chernobil é produzido na Fábrica de Cimento de Odessa, no sul da Ucrânia, propriedade da «joint-venture» portuguesa C+PA.

Esta «joint-venture» foi constituída por duas empresas portuguesas: a Teixeira Duarte, que detém 52 por cento das ações, e a Cimpor, com os restantes 48 por cento.

“Os consórcios franceses Bouygues e Vinci, que vão dar início à construção de um novo sarcófago no quarto reator abriram um concurso internacional para a aquisição de cimento para a obra. Participaram numerosas empresas ucranianas e estrangeiras, mas fomos escolhidos porque o nosso cimento é o de melhor qualidade”, disse à Agência Lusa Miguel Machado, diretor-geral da Fábrica de Cimento de Odessa.

“Gostaria de salientar que a nossa fábrica encontra-se longe da central nuclear de Chernobil [norte da Ucrânia], mas fomos os escolhidos devido precisamente à qualidade do cimento que produzimos”, frisou Miguel Machado.

A Fábrica de Cimento de Odessa irá fornecer 25 mil toneladas para a obra que se encontra na fase de construção de alicerces, acrescentou.

A empresa C+PA adquiriu 51 por cento das ações dessa fábrica de cimento ucraniana em maio de 2005 e os restantes 49 por cento em novembro do ano seguinte.

De acordo com fontes oficiais ucranianas, a construção do novo sarcófago, que deverá evitar fugas de radioatividade do quarto reator da central nuclear de Chernobil, estava orçada em cerca de 600 milhões de euros, mas os custos já subiram para 900 milhões e poderão atingir 1,54 mil milhões de euros.

A nova cobertura do quarto reator terá 150 metros de altura, 150 metros de comprimento e 260 metros de largura.

A obra, com uma garantia de cem anos, é financiada principalmente pela União Europeia.

Fontes das empresas francesas de construção do sarcófago disseram à Lusa que a obra já tem um ano de atraso devido a entraves burocráticos levantados pelas autoridades ucranianas.

Ténis: ATP - Frederico Gil sobe ao 64.º lugar e reforça condição de melhor português de sempre


Lisboa, 18 abr (Lusa) – Frederico Gil reforçou hoje a condição de melhor tenista português de sempre no “ranking” mundial, ao figurar na 64.ª posição, a mais alta que alguma vez um jogador luso alcançou.

Os 205 pontos somados no torneio de Monte Carlo, onde chegou aos quartos de final, permitiram a Frederico Gil subir 18 lugares na hierarquia, que continua a ser comandada pelo espanhol Rafael Nadal, que domingo se sagrou campeão do masters do principado pela sétima vez consecutiva.

À melhor prestação de um português num torneio da categoria “Masters 1000” (antigo super-9), Gil juntou agora a melhor posição de sempre. O anterior recorde, que também lhe pertencia, datava de 25 de maio de 2009, quando chegou ao 66.º posto.

Para lá dos números desportivos, o percurso em Monte Carlo, onde acabou eliminado pelo britânico Andy Murray, o número quatro mundial, permitiu a Frederico Gil merecer um cheque de 53.500 euros, verba que levou o português a superar a barreira do milhão de euros ganhos em prémios na carreira (1.023.848).

Em Monte Carlo, Gil começou nas qualificações (passou duas rondas) e só acabou nos quartos de final, depois de cinco vitórias consecutivas sem perder um “set”, a última das quais diante o 10.º jogador mundial, o francês Gael Monfils, que segunda-feira surge mesmo um lugar acima na tabela.

Frederico Gil viaja agora para Itália, onde disputará, a partir de terça-feira, o “challenger” de Nápoles, torneio em que defende o estatuto de primeiro favorito.

Entre a elite dos 10 melhores, a maior alteração foi protagonizada, pela negativa, pelo espanhol Fernando Verdasco, que foi desalojado do “top-10” (queda do oitavo para o 12.º posto), depois da efémera passagem em Monte Carlo (foi finalista em 2010 e eliminado agora à primeira).

No circuito feminino, cumpriu-se uma semana de “folga” no principal escalão, embora os acertos de contas tenham permitido, entre as 10 primeiras, a promoção de um lugar à chinesa Na Li, que subiu da sétima para a sexta posição da hierarquia, comandada pela dinamarquesa Caroline Wozniacki.

Michelle de Brito, que na última aparição no circuito, em meados de março, falhou o apuramento para o quadro principal de Miami (Florida), continua a ser a melhor portuguesa, embora tenha sofrido uma “queda” de 23 posições, figurando agora no 197.º posto.

Arquitetura: Siza Vieira conquista prémio de Arquitetura do Douro com armazém de envelhecimento de vinhos


Vila Real, 18 abr (Lusa) – O arquiteto Siza Vieira ganhou hoje o prémio de Arquitetura do Douro, com o armazém de envelhecimento de vinho desenhado para a Quinta do Portal e instalado entre as vinhas da paisagem classificada pela UNESCO.

“É sempre muito agradável. Fica-se satisfeito. O ego eleva-se”, afirmou o arquiteto, logo após a entrega do prémio, em Vila Real.

Lançado em 2006 pela Estrutura de Missão do Douro (EMD), o concurso tem como objetivo estimular as boas práticas de arquitetura na paisagem classificada pela UNESCO em 2001.

Pretende ainda incentivar a excelência no ordenamento do território e na intervenção urbanística e arquitetónica em paisagens.

Com um investimento de quatro milhões de euros, o edifício de Siza Vieira foi inaugurado pelo primeiro-ministro a 06 de outubro de 2010 e abarca as três áreas de atividade da quinta, a vinha, vinificação e turismo.

Uma das grandes preocupações do arquiteto foi a integração e harmonização da estrutura na paisagem duriense, recorrendo por isso aos materiais usados no Douro, como o xisto, a pedra com que se fazem os muros de suporte dos socalcos, bem como a cortiça.

O edifício possui uma área de implantação de 2.050 metros quadrados e uma área de construção de 4.722 metros quadrados de betão e aço.

“É um edifício de trabalho sujeito a regras muito claras e a um programa. Com uma linha de desenvolvimento do projeto muito apoiada e no meio de um campo cultivado. Assim, no meio de uma paisagem maravilhosa. Quem faz a paisagem é sobretudo a agricultura”, salientou Siza Vieira.

O enólogo da Quinta do Portal, Paulo Coutinho, disse que o armazém permite ter as "condições ideais para um envelhecimento lento e adequado aos moscatéis e todas as categorias de vinho do Porto".

"É sem dúvida uma nova maneira de estar no armazenamento e envelhecimento de vinhos", frisou Paulo Coutinho.

O ambiente é "limpo e saudável" e há "a garantia de que o envelhecimento está a ser feito nas condições ideais".

Apesar de há mais de um século a família Mansilha se dedicar à produção de vinhos, a empresa "Quinta do Portal", que se estende pelos concelhos de Sabrosa e Alijó, foi constituída apenas em 1994, dedicando-se desde então aos vinhos do Porto, do Douro, Moscatel e espumantes.

O júri atribuiu ainda duas menções honrosas à Adega do Vallado, da responsabilidade da “Mais e menos – Arquitetos Associados” e à Capela de Travassos, do arquiteto Paulo Moura, ambas localizadas no Peso da Régua.

O júri do prémio foi composto por representantes da EMD, da Direcção Regional de Cultura do Norte, do Turismo de Portugal, da Ordem dos Arquitetos e pelo arquiteto António Belém Lima.

Belém Lima venceu a última edição, com o Museu da Vila Velha, em Vila Real.

18 de abril de 2011

Cultura: Laboratório com tecnologia de ponta funciona em Évora para desvendar segredos do património

Évora, 18 abr (Lusa) – A Universidade de Évora possui um laboratório único no panorama académico português dedicado ao estudo e conservação do património, equipado com tecnologia de ponta e que funciona como uma espécie de “CSI” para a área da História.

“É um bocadinho como o CSI [a série de televisão Crime Scene Investigation]. O CSI quer saber quem morreu e como morreu. Aqui, é saber quem fez e como fez a peça ou artefacto”, explicou hoje à Agência Lusa Cristina Dias, uma das responsáveis pela estrutura laboratorial.

O HERCULES - Herança Cultural, Estudos e Salvaguarda, equipado com tecnologia de ponta, integra a Universidade de Évora e resulta de um investimento superior a dois milhões de euros.

O laboratório, que já está a funcionar, é inaugurado terça-feira, tendo as suas bases sido criadas graças a um mecanismo de financiamento (EEAGrants) proveniente da Noruega, Islândia e Liechtenstein.

A unidade reúne técnicos e especialistas em conservação e património, assim como cientistas de diversas áreas: químicos, geólogos, bioquímicos, geoquímicos, conservadores restauradores, historiadores e arqueólogos.

O HERCULES trabalha em rede com o Laboratório de Conservação e Restauro José de Figueiredo, do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), e com unidades de investigação de referência, nacionais de estrangeiras.

Com exceção do Laboratório José de Figueiredo, o HERCULES, realçou Cristina Dias, é o que faz estudos mais abrangentes e completos na área do património.

“Há departamentos dentro das universidades que têm estudos de conservação e restauro, em Lisboa e no Porto, mas não têm esta abrangência. Têm laboratórios que servem para aulas e investigação, mas esta é única no país enquanto unidade diferenciada”, sublinhou.

A missão é desvendar o segredo de obras de arte e de bens patrimoniais, procurando saber como e quando foram feitos, porquê e por quem e ainda como se podem preservar, com recurso “à investigação multidisciplinar e a meios analíticos sofisticados”.

“Temos uma série de equipamentos que nos permite fazer análises a diferentes tipos de materiais orgânicos, como corantes naturais, vernizes ou aglutinantes utilizados nas pinturas, e inorgânicos, por exemplo pigmentos das pinturas, barros das cerâmicas, argamassas ou a pintura mural”, enumerou Cristina Dias.

Uma “mais-valia”, não apenas para a Universidade de Évora, ao nível da investigação e do conhecimento teórico que possibilita, mas também em termos práticos, em estreita ligação com as empresas de conservação e restauro, que solicitam as realização de análises, frisou a também professora universitária.

“É importante saber quais os materiais de uma peça, para se poder utilizar uma coisa compatível na conservação e restauro”, afirmou, explicando que, muitas vezes, quando não existem “estes cuidados”, os materiais que se “põem no artefacto vão reagir com o que já lá estava”, o que acaba por causar “mais problemas” do que antes.