17 de junho de 2011

Relação dos deputados eleitos e mapa oficial das eleições para a Assembleia da República

Consulte aqui a relação dos deputados eleitos e mapa oficial das eleições para a Assembleia da República
realizadas em 5 de Junho de 2011 : http://dre.pt/pdfdia1s/11601.pdf

Lido no DN : Jornal Digital Dinheiro Vivo arrancou hoje para cobrir área económica

O novo jornal digital económico Dinheiro Vivo, da Controlinveste, arrancou hoje, quinta-feira, com o intuito de cobrir a área económica "de forma próxima das pessoas", disse à agência Lusa André Macedo, responsável pelo projecto.

Conheça o novo jornal aqui.

Este "caminho de proximidade" que o jornal quer estabelecer com os leitores implica uma "permanente evolução" e melhoramentos a fazer progressivamente, admite o jornalista.

O primeiro passo do novo título - propriedade do grupo que também detém o "Diário de Notícias", O "Jornal de Notícias" e "O Jogo" - passa pelo período do Verão, período de notícias relevantes este ano, dada a actualidade política e económica, que servirá como "primeira prova de maturidade" do Dinheiro Vivo, segundo indica André Macedo.

Economia, Estado, Empresas, Mercados e Buzz, este dedicado às áreas do marketing, publicidade e media, são alguns dos canais da nova marca de informação da Controlinveste, que integra também uma forte componente multimédia, com diversas reportagens em vídeo e infografias. Sublinhando que todos os jornais "fazem um esforço para traduzir a realidade" noticiosa junto dos seus leitores, André Macedo frisa que um dos objectivos do Dinheiro Vivo é dar as notícias "mais credíveis possíveis" de uma forma "clara e acessível" aos leitores.

O projecto arrancou hoje no 'online' e em aplicações para dispositivos móveis e em Setembro chega à rádio, com um programa na TSF, e ao papel, com um suplemento no Diário de Notícias e Jornal de Notícias.

O novo jornal pretende competir com o Diário Económico, Jornal de Negócios e com o suplemento de economia do semanário Expresso. Para o projecto foram contratados e destacados cerca de 30 jornalistas das diversas áreas económicas, como macroeconomia, orçamento, fisco, segurança social, trabalho, mercados e banca.

André Macedo, coordenador da nova marca, foi até há pouco tempo director-executivo do jornal i tendo ainda passado pelo Diário Económico (como director), revista Sábado (chefe de redacção), Correio da Manhã (editor da secção de Política), revista Focus (editor de Economia) e Record.

16 de junho de 2011

Livros: Russos, portugueses e um bife strogonoff na "Saga dos Portugueses na Rússia"

Lisboa, 16 Jun (Lusa) – As relações entre Portugal e Rússia são o tema base do livro “Saga dos Portugueses na Rússia” do qual constam relatos “curiosos” como as ligações entre as descendente da Marquesa de Alorna e o poeta russo Alexandre Pushkin.

José Milhazes, jornalista da agência Lusa em Moscovo, é o autor do livro que incide sobre as relações a nível cultural, político, religioso e diplomático entre Portugal e Rússia, e que vai ser apresentada na sexta-feira à tarde na livraria da Imprensa Nacional - Casa da Moeda, no Porto.

Os primeiros contactos oficiais entre Portugal e Rússia, na primeira metade do século XVIII, ou aqueles que foram mantidos pelos dois países situados nos extremos do continente europeu ainda antes de ambos se tornarem Estados são também referidos na obra, a apresentar por Jorge Alves, catedrático do Departamento de História e de Estudos Políticos e Internacionais da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP).

Ao longo das quase 400 páginas, o jornalista e historiador vai “relatando e retratando contactos caricatos e curiosos entre portugueses e russos, nomeadamente a relação entre a filha e neta da poetisa portuguesa Marquesa de Alorna (1750/1839), e o maior poeta russo, Alexandre Pushkin, (1799/1837) ou de António Vieira (1682/1745), o primeiro chefe da polícia de São Petersburgo", acrescentou.

É também referido o facto da filha da Marquesa de Alorna ter criado, na Rússia, o bife strogonoff que acabou por se popularizar em tudo o mundo.

“Reflexos da Revolução Republicana Portuguesa (1910) na Rússia” é o capítulo com que José Milhazes encerra “propositadamente” o livro porque o século XX é “muito específico” e por “não ter passado tempo suficiente para se fazer análise histórica com o distanciamento necessário", argumentou.

Questionado sobre se não terá sido uma opção consciente de forma a poder retomar o estudo daquele século num outro livro, o autor admitiu que sim.

Nascido em outubro de 1958 na Póvoa de Varzim, José Milhazes – que já tem outros títulos publicados - foi viver para a então URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) em 1977. Em 1983 licenciou-se em História na Universidade Estatal de Moscovo e em 2008 doutorou-se na Faculdade de Letras da UP, com a tese “Influência das Ideias Liberais e Portuguesas na Rússia”.

Literatura: “Clarabóia”, romance inédito de Saramago, será editado no Outono

Lisboa, 16 Jun (Lusa) – “Clarabóia”, o romance que José Saramago acabou de escrever em 1953 e deixou inédito até ao fim da vida, será publicado “no final deste ano, em outubro ou novembro”, disse Zeferino Coelho, seu editor e amigo.

Em entrevista à Lusa, a poucos dias do primeiro aniversário da morte do prémio Nobel da Literatura português, a 18 de junho de 2010, o editor da Caminho levantou um pouco o véu sobre a história e as personagens de “Clarabóia”, que classificou como “um bom romance”, onde se encontram já esboços do que viriam a ser as obras seguintes de Saramago.

“Vamos publicá-lo no final do ano. Em outubro ou novembro estará pronto. Eu já tenho comigo o original, estamos a trabalhá-lo – e está completo. Ou seja, é possível publicar o livro sem qualquer interferência, não lhe falta nada, não lhe falta nenhum bocado. Trata-se de um romance e é um romance interessantíssimo. Eu já o li – mais do que uma vez – e lê-se muitíssimo bem. Tem um grande número de personagens, mas aquilo tudo muito bem articulado, muito bem contado”, disse à Lusa.

Quanto ao tema, o editor foi descritivo: “Toda a gente sabe o que é uma claraboia, não é? Existe em muitos prédios que têm uma escada interior de acesso aos andares, está no cimo da escada, no telhado, para iluminar essa escada. O José Saramago imagina um prédio que tem rés-do-chão e dois andares ou três, cada andar está ocupado por uma família, as famílias são todas completamente diferentes e ele conta-nos a história de cada uma delas”.

O romance “é muito rico, é muito diverso e lê-se muitíssimo bem. E nota-se que já tem ali algumas coisas que o José Saramago viria a desenvolver mais tarde… e tem até um personagem que, de alguma maneira, é o Saramago debatendo-se com os seus próprios problemas e, nomeadamente, com um problema que ele nunca resolveu, que é o otimismo e o pessimismo: se a humanidade é recuperável ou não – isso está lá – e que atitude deve cada um de nós tomar, sentirmo-nos responsáveis por aquilo que se passa à nossa volta e intervir ou acharmos que não temos nada a ver com isso e afastarmo-nos de qualquer intervenção na sociedade”, resumiu.

“Isso já está aqui neste livro e é o núcleo central da definição de outras personagens do livro. E é muito curioso vermos que, sendo embora um livro com um estilo completamente diferente daquele que o José Saramago adotou a partir do ‘Levantado do Chão’, no entanto, ele já lá está. Eu acho que é um livro que vai suscitar muita curiosidade e vai ter muitos leitores. Porque se lê bem e é riquíssimo de significados”, argumentou o editor.

“Ele tinha uma necessidade de fazer coisas, de ser ativo, tinha a obsessão de evitar ser uma espécie de Ricardo Reis [heterónimo de Fernando Pessoa sobre o qual publicou um romance em 1984, “O Ano da Morte de Ricardo Reis”] que, aliás, já está aqui no ‘Clarabóia’. Há aí uma personagem, um jovem, que aluga um quarto num dos apartamentos do tal prédio e que tem como filosofia não se comprometer com nada. E quando sente que está a ganhar raízes, corta-as e vai-se embora, vai fazer outra coisa. E por isso, o rapaz não tem namorada, porque não quer raízes, não quer ter nenhuma espécie de responsabilidade em coisíssima nenhuma”, revelou Zeferino Coelho.

“E isso já é apresentado neste livro – há várias discussões entre o rapaz e o homem que lhe alugou o quarto, que é um sapateiro –, era um tema de que Saramago estava sempre a falar, porque esta é a filosofia do Ricardo Reis: o mundo é um espetáculo que não é para a gente intervir, é só para a gente ver. E deve-se evitar, de todas as maneiras, intervir no mundo. E o Saramago pensava exatamente o contrário. Tinha uma atitude cívica permanente”, comentou.

Trata-se de um romance que o escritor optou por deixar inédito e que agora será conhecido. Zeferino Coelho explicou porquê, contando a história: “Ele escreveu-o no princípio dos anos 1950, o livro foi entregue à editora nessa altura e, depois, a editora não disse nada e, aparentemente, o próprio Saramago se esqueceu do livro – nunca mais ouviu falar dele e esqueceu-se. Até que, nos anos 1980, recebeu uma carta do editor, dizendo que tinha lá o livro, que o publicaria se ele quisesse e ele não quis. Foi lá buscar o livro e devolveram-lho. E é essa cópia que eu tenho agora, uma fotocópia dessa cópia”.

Na altura – prosseguiu -, “ele disse que não, não tencionava publicar o livro, em vida não queria publicá-lo, mas depois acrescentou que se quisessem publicá-lo depois da morte, sobre isso não se pronunciava, que as pessoas que têm de tratar disso fizessem como entendessem”.

“E à Pilar pareceu que sim, que era publicável, e a mim também me parece que o livro é perfeitamente publicável… e faz falta, para que nós saibamos o que é que o Saramago andava a fazer nos anos 1940 e 1950”, sublinhou.

Literatura: Romance inacabado de Saramago sobre o comércio de armas sai em 2012

Lisboa, 16 jun (Lusa) – As 20 páginas do romance sobre o comércio de armas que José Saramago estava a escrever quando morreu, a 18 de junho de 2010, serão publicadas em 2012, disse à Lusa o editor do Nobel português, Zeferino Coelho.

A decisão coube à viúva, Pilar del Rio, e aos editores da obra de Saramago em vários países. Falta agora decidir sob que forma serão publicadas as páginas do romance a que o escritor chamou “Alabardas, Alabardas! Espingardas, Espingardas!”.

Saramago estava a escrevê-lo a bom ritmo, depois de ter estado algum tempo “encalhado” na escolha do título – que escrevia sempre antes dos romances. Desta vez, a escolha recaiu num verso do poeta e dramaturgo Gil Vicente e, a partir daí, o autor de “Memorial do Convento” e “O Ano da Morte de Ricardo Reis” dedicou-se à história.

“Vai ser publicado, mas não pode ser publicado como um livro que não é. Do romance, que iria ter provavelmente umas 300 ou 350 páginas, o que está ali são 20, não mais que isso, se é que tem 20… É apenas o início do livro”, explicou o editor da Caminho, chancela que publica toda a obra do autor em Portugal desde os anos 1980.

“Não pode ser publicado como o último livro de Saramago, porque não é, não chega a ser. Agora, é um belíssimo texto e é curioso… e os leitores de Saramago, que são muitos, devem ter acesso a ele”, defendeu.

Em outubro de 2009, no lançamento em Lisboa do seu anterior romance, “Caim”, o Nobel da Literatura 1998 revelara já que o novo livro trataria da indústria de armamento.

“Todos aqueles que me conhecem bem sabem que sempre me tenho interrogado: porque é que nunca houve uma greve numa fábrica de armas? Nunca… Serão aqueles operários menos conscientes?”, inquiriu, apontando essa pergunta como ponto de partida para a história que queria contar.

Procurou durante algum tempo, sem êxito, um episódio que pensava ter lido em “L’Espoir”, de Malraux, ou em “Por Quem os Sinos Dobram”, de Hemingway, passado na Guerra Civil de Espanha, sobre “um morteiro que não rebentou e que tinha um papel dentro, escrito, em português, que dizia: ‘Esta bomba não rebentará’”.

Era esse o impulso inicial para o livro: “Que uma classe operária tão capaz de lutas não tenha conseguido entrar nos portões de uma fábrica de armas. Faz-se o que se pode contra a droga, faz-se o que se pode contra a gripe A… e o que é que se faz contra o comércio de armas? Nada”, observou, na altura.

“Assim como Deus não é de fiar, os exércitos também não. O cidadão deve exercer a sua parte de vigilante e não se deixar levar pela banda de música ou pelo seu porta-estandarte”, defendeu.

No grande auditório sobrelotado da Culturgest, Saramago admitiu, então, que gostaria de ter escrito “um livro a que pudesse chamar ‘O Livro do Desassossego’".

Mas "já está, o Fernando Pessoa antecipou-se… mas o meu desassossego não é exatamente o dele. Como eu não vivo desassossegado, quero desassossegar”, comentou, citando em seguida um verso de Camões, que diz “Estavas linda, Inês, posta em sossego” e interrogou-se: “O que é isso de ‘posta em sossego’? Quer dizer, cortaram-lhe o pescoço, ficou ‘posta em sossego’!” – a plateia deu gargalhadas e aplaudiu de pé.

15 de junho de 2011

Lido no DN : RDP apresenta webradio totalmente dedicada ao fado

A RDP-Antena 1 apresenta hoje, em Lisboa, um novo projeto de webrádio vocacionado em exclusivo para o fado, demonstrando um "envolvimento próximo e consistente" com a candidatura desta canção a Património Imaterial da Humanidade.

As afirmações são do diretor de programação da RDP, Rui Pêgo, que em declarações à Lusa afirmou que esta plataforma se insere numa política de "rádios estratégicas e de oportunidade".

Esta política da emissora pública, levou já à colocação on-line das rádios República, Mozart, Vivacci, Antena 3 Rock, Antena 3 Dance, entre outras.

Referindo-se à Antena 1 Fado, Rui Pêgo, afirmou que se trata de "acomodar conteúdos que a Antena 1 disponibiliza diariamente, relacionados com o fado, assim como aproveitar e pôr à disposição do público em geral o arquivo tremendo que a RDP tem".

A Antena 1 Fado poderá ser escutada no computador, no iphone ou no telemóvel, através do endereço http://www.rtp.pt/wportal/popups/player_dalet.php?canal=antena1fado e é hoje apresentada pelas 12:30 no Museu do Fado, em Lisboa.

Esta aposta da estação pública faz todo o sentido "na medida em que o fado é uma música matricial da nossa cultura", defendeu Rui Pego.

A coordenação executiva desta nova rádio é do diretor-adjunto de Programação da RDP, Jorge Alexandre Lopes.

A Antena 1 Fado, segundo Rui Pêgo, "é vocacionada para três comunidades: os portugueses que residem no estrangeiro, os estrangeiros que falam português e os que se comovem a ouvir cantar o fado sem perceberem uma palavra de português"

Com a Rádio Fado, a Antena 1 coloca também em plataforma Web a Rádio Ópera, disse o responsável.

A apresentação de Antena 1 Fado na Web conta com a presença de Sara Pereira, diretora do Museu do Fado, do musicólogo Rui Vieira Nery, membro da Comissão Científica da candidatura, e do editor discográfico, David Ferreira. Na cerimónia, entre outros participam os fadistas Fábia Rebordão, Rodrigo Costa Félix, Miguel Brito Rebelo e Joana Amendoeira.

Cinema: A guerra colonial e a imigração em Portugal vistas em dois filmes portugueses

Lisboa, 15 jun (Lusa) - Esta semana estreiam-se nos cinemas dois filmes portugueses que abordam questões da sociedade portuguesa, do passado e do presente: a guerra colonial vista pelas mulheres e a entrada de estrangeiros em Portugal.

"Quem vai à guerra", de Marta Pessoa, que passou no último festival IndieLisboa, é um documentário sobre a guerra colonial, visto numa perspetiva que nem sempre é tida em conta: a das mulheres.

Porque a guerra colonial não pertence "exclusivamente aos ex-combatentes", e porque deixou marcas em quem foi e em quem ficou, Marta Pessoa quis dar-lhes voz.

"As mulheres portuguesas não falam. Não há registos femininos. O Estado Novo pior ainda, não houve pior momento para a mulher do que o período da ditadura", afirmou a realizadora em entrevista à Lusa.

Cinquenta anos após o início da guerra, Marta Pessoa acredita que "não se fez o luto, há muitos enigmas no pós-25 de Abril, não só da descolonização, mas da forma como os ex-combatentes foram tratados, ou não foram tratados, ainda há muita mágoa".

Na quinta-feira estreia-se também "Viagem a Portugal", primeira longa-metragem de ficção do realizador Sérgio Tréfaut, conhecido sobretudo na área do documentário.

O filme, assumidamente comprometido com a realidade, como disse à Lusa, é sobre a entrada de estrangeiros em Portugal e a forma como estes são tratados nos aeroportos.

A história, protagonizada por Maria de Medeiros, baseada em factos reais, sobre uma professora ucraniana que em 1998 tentou entrar em Portugal para se encontrar com o marido zairense.

O realizador quis fazer um filme sobre "os interrogatórios que ocorrem diariamente nos aeroportos, que são, no caso português, completamente secretos".

"Acho fundamental que as instâncias de poder sejam questionadas", defendeu.

E se, por um lado, “há um perpétuo abuso das instâncias de poder, que são impunes, fazem o que querem sem que ninguém as critique”, por outro, a sociedade civil em Portugal é "cega, surda e muda", criticou.

Em complemento à estreia do filme, Sérgio Tréfaut e várias associações de imigrantes lançaram na internet a Plataforma Direitos, para recolha de depoimentos de pessoas que tenham passado por interrogatórios, detenções e expulsões nos aeroportos.

8 de junho de 2011

Eleições: Cadernos Eleitorais são "credíveis e atualizados" - Administração Interna

Lisboa, 07 jun (Lusa) - A Direção-Geral da Administração Interna (DGAI)garantiu hoje que os Cadernos Eleitorais mostram-se "credíveis e atualizados", sendo elaborados no "escrupuloso respeito pelas disposições legais aplicáveis e pelo princípio democrático".

Segundo a DGAI, os cerca de 9,6 milhões de eleitores inscritos nos Cadernos Eleitorais têm como referência o universo dos cidadãos com nacionalidade portuguesa residentes em Portugal e no estrangeiro, que totalizam cerca de 15 milhões - 10 milhões de residentes em território nacional e os cerca de 5 milhões de residentes no estrangeiro.

De acordo com a DGAI, o universo de cidadãos eleitores constantes dos Cadernos Eleitorais constitui 64 por cento do universo total de cidadãos portugueses.

O número de eleitores nas últimas eleições legislativas ascendeu a 9,6 milhões, constituído por todos os cidadãos portugueses, com 18 ou mais anos, de nacionalidade portuguesa e residentes em Portugal e cidadãos portugueses, com 18 ou mais anos, residentes no estrangeiro e inscritos nos consulados portugueses.

Os Cadernos Eleitorais englobam ainda os cidadãos portugueses, com 18 ou mais anos, portadores de documento de identificação civil português e com residência declarada em freguesia do território nacional, que residem no estrangeiro, mas que, por vontade expressa, mantêm uma ligação a Portugal, bem como cidadãos estrangeiros, com 18 ou mais anos, que adquiriram a nacionalidade portuguesa e residem em Portugal.

A fidedignidade do recenseamento eleitoral português assenta, segundo a DGAI, no facto de todos os eleitores inscritos no Recenseamento Eleitoral no território nacional terem o seu documento de identificação civil (Bilhete de Identidade ou Cartão de Cidadão) com residência indicada no território nacional.

Observa ainda que o sistema informático do Recenseamento Eleitoral não permite duplas inscrições nem inscrições de cidadãos sem capacidade eleitoral.

Quanto aos óbitos, a ligação automática às bases de dados de identificação civil permite, atualmente, eliminar todos os eleitores falecidos.

O PSD venceu as legislativas antecipadas de domingo sem maioria absoluta ao conseguir 38,63 por cento dos votos e 105 deputados no Parlamento. Pedro Passos Coelho, o líder do partido, declarou que “está aberto o caminho” para a formação de um Governo de coligação entre PSD e CDS que integre também independentes.

O PS foi a segunda força política mais votada, obtendo 28,05 por cento dos votos e 73 deputados. O CDS-PP conseguiu 11,74 por cento dos votos e 24 deputados.

Inovação: COTEC elege o empreendedor da diáspora entre mais de uma centena de candidatos de 30 países

Porto, 08 jun (Lusa) – A COTEC Portugal atribui hoje pela quarta vez o Prémio Empreendedorismo Inovador na Diáspora, um galardão que pretende distinguir cidadãos portugueses que constituem exemplos de integração e ser um estímulo à cooperação entre Portugal e os países de acolhimento.

Em declarações à Agência Lusa, o presidente do júri, Filipe de Botton, adiantou que este ano candidataram-se 112 empreendedores portugueses a residir em 30 países, nos cinco continentes, o que representa “um aumento de 40 por cento face ao ano anterior e significa que o prémio está a ganhar notoriedade”.

O membro da direção da COTEC – Agência Empresarial para a Inovação disse que “as candidaturas são de elevadíssima qualidade o que dificultou a escolha”, referindo tratar-se de “um prémio que aposta na resiliência, na persistência e no longo prazo”.

Na cerimónia a decorrer no Centro Cultural de Belém, que contará com a presença do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, vão estar presentes cerca de 40 candidatos, sendo também uma oportunidade para contactarem com empresários de Portugal.

O presidente executivo da Logoplaste realçou que o evento “é uma oportunidade única para aumentar o grau de relacionamento entre os empresários em Portugal e os empreendedores que vivem fora de Portugal”, considerando que “os empresários portugueses a viver em Portugal têm tudo a ganhar em aumentar o grau de relacionamento com os portugueses a residir fora de Portugal”.

Dos 30 países representados na competição, destacam-se Brasil, Canadá, Estados Unidos e França e, pela primeira vez, participam portugueses a residir na África do Sul, México e Singapura.

Na edição de 2010, o vencedor foi Isidro de Jesus Fartaria, presidente da Titel Holding, um grupo ligado à indústria química e construção civil, com sede em França e presença em 11 países incluindo Portugal.

A COTEC Portugal foi constituída em abril de 2003, na sequência de uma iniciativa do então Presidente da República, Jorge Sampaio, com a missão de promover o aumento da competitividade das empresas localizadas em Portugal, através do desenvolvimento e difusão de uma cultura e de uma prática de inovação, bem como do conhecimento residente no país.

A COTEC é uma associação sem fins lucrativos que conta com o apoio dos seus Associados e das instituições do Sistema Nacional de Inovação (SNI) para a concretização dos seus objectivos, através da realização de iniciativas em várias áreas. Desde o início da sua actividade que o cargo de Presidente da Assembleia-Geral tem sido exercido pelo Presidente da República.

Literatura: UC lança nova revista de estudos literários

Coimbra, 08 jun (Lusa) – Recuperar a tradição das revistas de estudos literários na Universidade de Coimbra e criar um espaço de reflexão sobre o ensino da literatura são objetivos de uma nova publicação que quinta-feira é apresentada.

Da responsabilidade do Centro de Literatura Portuguesa da Faculdade de Letras de Coimbra, a Revista de Estudos Literários pretende dar sequência às extintas Revista de História Literária (1962-1975), fundada e dirigida por Álvaro Júlio da Costa Pimpão, e a Cadernos de Literatura (1978 a 1986), com a direção de Andrée Crabbé Rocha.

“Era uma necessidade, numa faculdade onde os estudos literários têm tanta importância”, declarou à agência Lusa António Apolinário Lourenço, coordenador desta edição inaugural, em conjunto com o seu colega docente Osvaldo Manuel Silvestre.

Desde a fundação do Centro de Língua Portuguesa, há cerca de seis anos, que a criação de uma revista era objetivo, que só agora foi possível concretizar, acrescentou.

A Revista de Estudos Literários, de periodicidade anual, neste primeiro número é dedicada a “Os Estudos Literários em Portugal no Século XX”, mas em cada edição haverá um tema principal diferente.

Os próximos números – revelou António Apolinário Lourenço – terão como temas gerais “O Futuro da Literatura”, “O Ensino da Literatura” e “Literaturas Africanas”.

Além de um tema principal, a revista apresenta ainda Secção Não-Temática, Profissão (uma reflexão sobre o trabalho do investigador e do docente), Arquivo (onde recupera alguns textos históricos, relevantes da tradição crítica) e Recensões (exclusivamente para obras ensaísticas, críticas ou didáticas que não suscitam tratamento na comunicação social).

Num texto de apresentação, o diretor da revista, José Augusto Cardoso Bernardes, diz que ela surge para criar um espaço de reflexão sobre os estudos literários, nomeadamente sobre a crise que afeta a área das Humanidades.

“Enquanto entidade especificamente centrada na investigação do fenómeno literário, o Centro de Literatura Portuguesa deve (pre) ocupar-se como o estado geral dos estudos literários, com a sua evolução recente, com os caminhos novos que se lhe abrem e com o contributo que deles se espera para o reordenamento das Humanidades e do Conhecimento, em geral”, sublinha o diretor.

Rosa Maria Goulart, Carlos da Cunha, Vieira Pimentel, Pires Laranjeira, Helena Carvalhão Buescu, António Apolinário Lourenço, Gustavo Rubim, Ricardo Namora, Ofélia Paiva Monteiro, Burghard Baltrusch, Irene Fialho, Ana Luísa Amaral, António Sousa Ribeiro e Herculano Carvalho são os autores dos artigos incluídos nas perto de 500 páginas do número 1 da Revista de Estudos Literários.

10 de Junho: Aos 84 anos, pintor e ceramista Manuel Cargaleiro continua a trabalhar "todos os dias"

Castelo Branco, 08 jun (Lusa) - Aos 84 anos de idade, o pintor e ceramista Manuel Cargaleiro afirmou hoje que continua a trabalhar “todos os dias”, revelando que só se sente bem nessa rotina artística diária.

O Presidente da República, Cavaco Silva, inaugura na quinta-feira, em Castelo Branco, o Museu Cargaleiro, dedicado ao trabalho e recolha do artista beirão em que o município decidiu investir para acolher.

Uma inauguração, integrada nas comemorações do Dia de Portugal, que deixa o autor “muito contente” por “finalmente, aos 84 anos, ver este trabalho e coleções, tudo conservado e guardado”.

A região italiana de Vietri sul Maré inaugurou-lhe um museu em Salerno, em 2004, e o artista continua a trabalhar regularmente em França, depois de ter vivido vários anos em Paris.

Assina diversos painéis cerâmicos (azulejaria) de grandes dimensões em edifícios públicos, tendo sido escolhido para decorador da estação de metropolitano Champs-Elysées Clemenceau, em Paris.

Mas é em Portugal, especialmente na Beira Baixa que o viu nascer (em Vila Velha de Ródão), que a inauguração o deixa feliz.

No novo museu são acolhidas coleções “iniciadas há mais de 60 anos, pelo que é uma felicidade ver isto”, sublinhou à Agência Lusa.

Cargaleiro só vislumbrou o espaço menos de um dia antes da inauguração e garante que “não é um museu de um artista. É um museu didático onde estão muitas coleções, onde já estão inventariadas mais de seis mil peças e há muito mais por inventariar”.

São obras de arte da sua autoria e outras que adquiriu ao longo dos anos, que ocupam diferentes pisos do novo espaço – havendo muitas outras que aguardam por catalogação para serem expostas, explicou.

Segundo o autor, também haverá “coleções relacionadas com a cerâmica portuguesa e europeia, para que se possam comparar”. Cargaleiro considera-a “um género artístico português que é pouco reconhecido e defendido”.

Uma das coleções diz respeito a “pratos ratinho” desde o século XVIII, loiça popular que as famílias beirãs espalharam pelo Alentejo quando sazonalmente ali faziam trabalhos agrícolas: “não há um prato igual”, garante.

Por outro lado, haverá “outro género de coleções, relacionadas com têxteis e pinturas, nacionais e internacionais”, para além de uma coleção “de mais de dois mil livros de arte” que espera cativem os jovens.

O cenário de crise não intimida o artista que já viveu “muitas crises, aqui e no estrangeiro”, que lhe permitem estabelecer um paralelo: “A nossa crise não é tão grave como a situação que os franceses atravessaram com a II Guerra Mundial. E veja-se como evolui Paris”.

Por isso, garante que “não é a brincar ou no café que se encontra a solução [para a crise]: é a trabalhar”.

“Eu posso estar no café muito inspirado, mas se não estiver com pincéis na mão, não faço nada. Eu acho que a solução para esta crise esta numa palavra: trabalhar. É preciso que todos os portugueses passem a trabalhar”.

Pela sua parte, garante que ainda hoje trabalha para “acrescentar algo” à sua obra.

3 de junho de 2011

Arquitetura/Pritzker: "Arquitetura é recurso nacional e exporta marca Portugal"

Lisboa, 03 jun (Lusa) – A arquiteta Helena Roseta afirmou hoje que “a arquitetura portuguesa é um recurso nacional e exporta a marca Portugal”, referindo-se ao discurso de Souto de Moura na cerimónia em que recebeu o Prémio Pritzker 2011.

A atual vereadora da Câmara de Lisboa disse ainda que Eduardo Souto de Moura “tocou” numa questão importante que foi numa altura de crise (o pós 25 de abril de 1974) a arquitetura portuguesa ter encontrado uma “marca de origem”.

“A seguir ao 25 de abril [de 1974] faltavam meio milhão de casas e tiveram que construir de uma forma simples clara e paradigmática e isso influenciou toda a nossa arquitetura”, disse a ex-presidente da Ordem dos Arquitetos.

Na sua opinião, essa necessidade sentida após a Revolução dos Cravos, “retomou a linguagem de estilo moderno da arquitetura de uma forma muito mais simples, direta e depurada, com materiais do local, em que Siza Vieira foi pioneiro”.

“Isso – prosseguiu - é uma marca de origem que o Souto Moura reconhece e que lhe permitiu chegar a um Pritzker e é um exemplo para hoje em que também se atravessa uma crise e podemos encontrar na arquitetura motivos para sair dela”.
Referindo-se às declarações de Souto de Moura sobre a necessidade de os arquitetos portugueses terem que emigrar, Helena Roseta afirmou que “sempre que a arquitetura portuguesa emigra leva a marca Portugal”.

“É negativo porque o mercado de trabalho está difícil, mas quando [a arquitetura] emigra leva a marca de Portugal com ela. Temos uma influência na arquitetura mundial muito superior à escala do país”, sustentou.

A arquiteta afirmou-se ainda “satisfeita” por ter estado com Souto Moura no “combate pela alteração legislativa que permite que só os arquitetos possam assinar projetos”.

Souto de Moura recebeu hoje de madrugada, em Washington, o Prémio Pritzker 2011, considerado o Nobel da arquitetura.

O arquiteto evocou as suas raízes na arquitetura, ao lado de Siza Vieira, o primeiro Pritzker português, no pós-25 de Abril, e a forma como a realidade do país de então acabou por ditar o seu trabalho e de outros colegas de profissão.

Literatura: Gonçalo M. Tavares vence Prémio Literário dos Jovens Europeus


Lisboa, 03 jun (Lusa) – O escritor Gonçalo M. Tavares foi distinguido com o Prémio Literário dos Jovens Europeus, com o livro “O Senhor Kraus”, um dos habitantes do Bairro que criou e continua a povoar.

Gonçalo M. Tavares recebeu na quinta-feira, em Lyon, o galardão, atribuído pela Escola Europeia de Comércio, situada em França, a esta obra, que os alunos escolheram por nela terem encontrado semelhanças com a vida política francesa da atualidade.

Publicado pela Caminho em 2005 e o quinto título da série “O Bairro”, que já conta dez livros, “O Senhor Kraus” é um jornalista convidado para escrever uma crónica sobre política. Ele aceita e, para comentar os acontecimentos políticos – coisa que faz usando de acidez e ironia –, inventa três personagens, o Chefe e os dois Auxiliares, que protagonizarão episódios e diálogos que satirizam os tiques universais dos políticos.

O escritor, de 40 anos, publicou em 10 anos, desde 2001, 29 livros de vários géneros literários – incluindo vários romances, livros de contos, peças de teatro, uma epopeia, ensaios e poesia –, que já deram origem, em diversos países, a peças de teatro, ópera, peças radiofónicas, curtas metragens e objetos de artes plásticas, vídeos de arte, performances, projetos arquitetónicos e teses académicas.

Há cerca de 160 traduções de obras suas em curso com edição em 35 países.

Recebeu até agora alguns dos mais importantes galardões literários da língua portuguesa: o Prémio Portugal Telecom 2007, o Prémio José Saramago 2005 e o Prémio LER/Millennium BCP 2004 com o romance “Jerusalém” (Caminho), o Prémio Branquinho da Fonseca, da Fundação Calouste Gulbenkian e do jornal Expresso, com o livro “O Senhor Valéry” (Caminho), o Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, com “Investigações. Novalis” (Difel), e o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco 2007, atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores a “Água, Cão, Cavalo, Cabeça” (Caminho).

O seu romance “Jerusalém” foi listado como um dos “1001 Livros Para Ler Antes de Morrer – Um Guia Cronológico dos Mais Importantes Romances de Todos os Tempos”, na edição europeia desse livro.

Um dos três livros que publicou no ano passado, a anti-epopeia “Uma Viagem à Índia” (Caminho) foi distinguido com o Prémio Melhor narrativa Ficcional 2010 da Sociedade Portuguesa de Autores e o Prémio Especial de Imprensa Melhor Livro 2010 LER/Booktailors.

31 de maio de 2011

Media: "Eles chegaram ao topo e não são doutores nem engenheiros" vence Grande Prémio de Jornalismo Económico

Lisboa, 31 mai (Lusa) – A jornalista Ana Rute Silva, do jornal Público, foi a vencedora da quinta edição do Prémio de Jornalismo Económico de 2011 com o trabalho “Eles chegaram ao topo e não são doutores nem engenheiros”, anunciou hoje a organização.

O trabalho conta a história de sucesso profissional de empresários sem formação académica superior, tendo a jornalista do Público ganho a mais alta distinção por parte do júri do prémio, vencendo simultaneamente a categoria de gestão de empresas e negócios.

Foram também premiados Alexandra Correia, jornalista da Visão com o artigo "A vida nas grandes barragens", na categoria sustentabilidade empresarial, e André Veríssimo e Paulo Moutinho, ambos do Jornal de Negócios, com o trabalho "Os resultados das empresas parecem sempre bons”, que venceram a categoria de mercados financeiros.

Esta é a quinta edição do Prémio de Jornalismo Económico, uma iniciativa conjunta da Universidade Nova de Lisboa e do Banco Santander Totta. Segundo a organização, o prémio tem o objetivo de "promover a qualidade da criação jornalística, distinguindo os melhores trabalhos de imprensa escrita e electrónica nas áreas de gestão de empresas e negócios, mercados financeiros e sustentabilidade empresarial, categoria que se estreia nesta edição".

O “Grande Prémio”, atribuído ao trabalho da jornalista Ana Rute Silva, tem um valor de 15 mil euros, e os restantes prémios, vencedores das respectivas áreas, o valor de 7.500 euros cada um.

Segundo a organização, nesta edição concorreram cerca de 60 trabalhos, que foram avaliados por um júri constituído por João Sàágua, presidente do júri e director da FCSH, José Rodrigues dos Santos, Sérgio Figueiredo, Francisco Sarsfield Cabral, José Albuquerque Tavares, Paulo Pinho e Luís Rochartre.

No ano passado, o artigo “PT é o Euromilhões para os acionistas”, da autoria dos jornalistas Anabela Campos, João Ramos e Nicolau Santos, do Jornal Expresso, foi o vencedor do "Grande Prémio" da quarta edição.

30 de maio de 2011

Museus: Portal sobre património imaterial é lançado quarta-feira com informação inédita

Lisboa, 30 mai (Lusa) - O portal Matriz Património Cultural Imaterial (PCI), um sistema de informação que vai reunir informação inédita do país sobre esta área, estará online a partir de quarta-feira, quando for apresentado num seminário, em Lisboa.

O seminário “MATRIZ: Novas Perspetivas para o Inventário, Gestão e Divulgação do Património Móvel e Imaterial”, organizado pelo Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) e pela BOND – Building on Network Dynamics, vai decorrer nesse dia no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA).

Contactado pela agência Lusa, Paulo Ferreira Costa, diretor do Departamento do Património Imaterial do IMC, revelou que o Matriz PCI vai ser um dos três instrumentos que o organismo apresentará publicamente na quarta-feira.

"Trata-se de um novo portal onde as entidades detentoras de manifestações do património cultural imaterial podem aceder e introduzir de forma a serem inventariadas", indicou o responsável, acrescentando que a criação deste instrumento representa o cumprimento, por Portugal, da convenção da UNESCO sobre esta área.

A convenção da UNESCO sobre esta matéria foi criada em 2003, entrou em vigor em Portugal em 2008, e no ano seguinte criou um quadro jurídico de salvaguarda de Património Cultural Imaterial.

Paulo Ferreira Costa indicou que a criação deste portal, que servirá para a criação de um inventário sobre o património imaterial do país, "é a condição para a futura apresentação de candidaturas de património imaterial por Portugal" à UNESCO.

O fado é a primeira expressão de património imaterial que Portugal apresentou oficialmente à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, com avaliação prevista para novembro deste ano, em reuniões que vão decorrer em Bali, na Indonésia.

Além desta, está em preparação a candidatura da dieta mediterrânica, recordou.

Metade dos museus do país possui já no seu acervo fundos documentais na área do património imaterial, como fotografias, filmes e som, segundo os dados preliminares de um inquérito nacional realizado em 2010 por este departamento do IMC.

O diretor do departamento adiantou ainda que o portal Matriz PCI vai conter, traduzida pela primeira vez para português, toda a informação sobre as mais de 200 expressões de património imaterial mundial já classificadas pela UNESCO.

"Essa informação já constava no site da UNESCO, mas nas línguas oficiais, não em português", comentou.

No seminário serão também apresentados outros dois instrumentos: a nova versão 3.0 do Matriz, sistema de informação integrado para inventário, gestão e divulgação de património, cultural móvel, imóvel e imaterial, e uma nova versão do MatrizNet, o catálogo online dos museus e palácios do IMC.

Estas ferramentas desenvolvidas pelo IMC "fazem parte de um grande projeto estruturante para os museus do país”, sublinhou o responsável, lembrando que o projeto Matriz, como software, foi criado em 1994, e já teve várias evoluções.

No quadro da internacionalização do projeto Matriz, e através de parcerias com a entidade homónima do IMC no Brasil (o Instituto Brasileiro dos Museus) e noutros países de língua portuguesa, está ainda em construção um projeto de recolha para inventariação online do património cultural do mundo lusófono.