Mostrar mensagens com a etiqueta personalidade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta personalidade. Mostrar todas as mensagens

7 de novembro de 2010

Saúde: Jovem português cria em laboratório primeiro fígado humano

Lisboa, 07 nov (Lusa) - Um jovem português de 33 anos conseguiu criar em laboratório o primeiro fígado humano. Pedro Baptista, responsável pela equipa do instituto norte-americano que fez a investigação, pretende criar órgãos para transplante humano.

Muito mais pequeno do que um fígado humano (cerca de dois quilos), o órgão criado no laboratório de Medicina Regenerativa da Universidade de Wake Forest tem apenas 2,5 centímetros de diâmetro e pesa pouco mais de cinco gramas.

Pedro Baptista garante que aquele tecido “possui muitas das funções que o fígado tem”, mas agora é preciso descobrir a fórmula certa para o fazer crescer.

A equipa de investigadores vai começar a fazer transplantes em ratos de laboratório.

“Se as coisas correrem bem nos ratos, ou seja, se o órgão tiver a função que nós esperamos, então começaremos a tentar aumentar o seu tamanho e o transplante numa espécie maior”, explica o jovem investigador.

O objetivo final é conseguir criar um órgão capaz de ser transplantado para os humanos. Pedro Baptista acredita que essa poderia ser uma realidade dentro de “cinco a dez anos”, mas lembra que tudo está “dependente dos recursos e de como as coisas vão correndo”.

“Infelizmente, nem sempre acontece como queremos. Em ciência é sempre complicado fazer previsões, especialmente quando podem lançar alguma esperança em doentes terminais”.

O investigador sublinha que “este é um passo importante para os doentes porque são os primeiros fígados alguma vez feitos em laboratório que têm função de um fígado humano”, lembrando que “já outros grupos tinham conseguido fazer fígados, mas apenas com células animais” .

A descoberta poderá ser também importante para atestar a segurança de novos medicamentos: “Para o estudo do metabolismo de drogas e de toxicidade de químicos faz mais sentido usar este tipo de tecido, com células humanas, do que os tecidos de células animais, porque nem sempre os órgãos animais metabolizam as drogas e os químicos da mesma maneira do que os humanos”, explica.

Apoiado no último ano por estudantes da universidade, Pedro Baptista publicou a sua investigação no jornal “Hepatology”.

Aos 27 anos, o investigador português Pedro Baptista deixou a empresa onde fazia ensaios clínicos e rumou para os Estados Unidos atrás do sonho de fazer investigação, que encontrou no Instituto de Medicina Regenerativa, onde criou o primeiro fígado humano.

“O meu sonho sempre foi fazer investigação ao mais alto nível”, contou à Lusa o jovem de 33 anos, que criou fígado humano no laboratório de Medicina Regenerativa da Universidade de Wake Forest.

Os dias de Pedro Baptista são passados a “fazer experiências ou a escrever”.

“Normalmente, como sou português, não me levanto muito cedo”, disse o jovem cientista, acrescentando que o despertar é “por volta das oito da manhã”. Mas só chega ao instituto às 10:00. É que é em casa que lê os artigos que lhe interessam e que gosta de planear as experiências que vai fazer.

“Os dias normais são de dez, onze ou doze horas. Quando realmente há muito trabalho é que é mais complicado”, reconheceu o investigador que não recebe horas extraordinárias mas também não sente “o tempo passar" quando está no laboratório.

Com formação básica em ciências farmacêuticas, Pedro sempre quis fazer investigação em medicina regenerativa do fígado, por ser “o primeiro órgão a metabolizar drogas e medicamentos”, explicou.

Em 2002, fazia ensaios clínicos numa empresa farmacêutica quando soube do programa da Gulbenkian de doutoramento em biomedicina. Conseguiu uma bolsa de doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia e escolheu o Instituto de Medicina Regenerativa.

A opção não foi casual: “Daqui saiu, em 2001, o primeiro órgão feito em laboratório alguma vez implantado em humanos: a bexiga”.

Agora, graças ao seu trabalho, o instituto acrescenta mais uma vitória na área da investigação ao conseguir criar também o primeiro fígado humano.

Pedro Baptista não esquece o momento em que percebeu que o seu trabalho estava “no caminho certo”, quando viu ao microscópio que as células hepáticas se estavam a diferenciar nos vários tipos celulares do fígado.

“Foi fantástico. A ciência também tem muitas horas de frustração e quando estas coisas acontecem é sempre um motivo de orgulho e de satisfação. Enfim, é a sensação do objetivo alcançado”, recordou.

Pedro Baptista ainda tem outras metas que pretende alcançar: “Aquilo que mais desejo é conseguir fazer o transplante para os ratos, mas não sei se depois vou continuar aqui ou não”, desabafou, explicando que “o transplante para os humanos ainda vai demorar muito tempo” e o cientista tem “saudades de casa, da família e dos amigos”.

Mas uma coisa é certa: “Enquanto não tentar o transplante que é o que eu estou a fazer não vou arredar pé daqui”.

21 de outubro de 2010

Lido no Público :Mariana Rey Monteiro - morreu uma grande dama do teatro


O grande público acolheu-a através da televisão na década de 1980, mas o palco recebeu-a logo aos 24 anos no D. Maria II. Mariana Rey Monteiro, a actriz filha de profissionais de teatro que não queriam a filha nos palcos, morreu quarta-feira aos 87 anos

Mariana Rey Monteiro morreu de causas naturais, como informou a família. O corpo da actriz ficará em câmara ardente na Igreja do Santo Condestável e o funeral realiza-se sexta-feira às 11h00 no Cemitério dos Prazeres.

Filha de duas figuras maiores do teatro – Amélia Rey Colaço e o actor e encenador Robles Monteiro – Mariana Rey Monteiro sonhava desde criança trabalhar no teatro. Os pais tentaram por vários meios afastá-la desse caminho, não a levando aos espectáculos no D. Maria II, teatro que a Companhia Rey Colaço/Robles Monteiro alugara ao Estado em 1929. Sem sucesso.

“A primeira vez que fui ao D. Maria II tinha seis anos. De manhã o meu pai chamou-me e prometeu mostrar-me a ‘nova casa’ do pai e da mãe”, contou à jornalista Marina Ramos, do PÚBLICO, em 1996, por altura da comemoração dos seus 50 anos de carreira. “Lembro-me como se fosse hoje. O meu pai deu-me a sua gorda mão – que me transmitia uma enorme sensação de segurança – e levou-me a beber um café na Brasileira e a descer o Chiado.”

Nessa altura era ainda, para todos, a Marianinha. Apesar de se manter longe do teatro, em casa, para se divertir, escrevia “umas larachas” para entreter os primos. Aos 15 anos os pais mandam-na estudar para Inglaterra, mas no final dos anos 1930, com a aproximação da II Guerra Mundial, volta subitamente para Portugal e parte, com os pais e toda a companhia do D. Maria II, para o Brasil. A partir daí a tarefa de a manter afastada do teatro tornou-se definitivamente impossível.

Aos 24 anos estreia-se no palco - no Teatro Nacional D. Maria II. “Embora tivesse algumas qualidades, não tinha experiência de palco, nem de corpo. Por isso, os meus pais tomaram imensas cautelas e pediram ao dr. Júlio Dantas que escrevesse uma peça que fosse um intermédio entre a declamação e a representação naturalista.” Na "Antígona" de Sófocles adaptada por Júlio Dantas, a sua estreia no teatro, a “madrinha de cena” é Maria Barroso.

Chega a ser convidada para trabalhar em Hollywood, mas recusa. Em 1947, casa com Emílio Ramos Lino, irmão do arquitecto Raul Lino e campeão de esgrima que acabará por se tornar também cenógrafo do D. Maria II.

A partir daí a carreira de Mariana não parou. Fez centenas de peças – entre as quais "Sonho de Uma Noite de Verão", "Santa Joana", "Um Eléctrico Chamado Desejo", representou textos de Molière, Arthur Miller, Bernard Shaw, Tennesse Williams, Ibsen, Shakespeare, Ionesco.

Em Dezembro de 1964 viu o Teatro Nacional arder. “Telefonaram-me para casa às três da manhã, fui buscar a minha mãe e fui para o Rossio”, recordou ao PÚBLICO em 1996. Os actores da companhia mobilizaram-se e conseguiram voltar a pôr em cena "Macbeth", no Coliseu.

Com o 25 de Abril a aproximar-se, a companhia estava numa situação financeira desesperada. Amélia Rey Colaço, desesperada, pediu ajuda financeira a Tomás, mas a companhia está condenada. A seguir ao 25 de Abril, Mariana Rey Monteiro quer deixar o teatro, mas volta ainda aos palcos para mais algumas peças. “Filhos de um Deus Menor”, dirigida por João Perry, será a última.

A partir dos anos 1980, Mariana começa a trabalhar em telenovelas. Em 82, "Vila Faia" é a primeira telenovela portuguesa e ela lá está. “O Nicolau Breyner perguntou-me se me importava de pintar o cabelo de branco para fazer uma senhora de 80 anos e eu disse que não.” Fez sete novelas, entre as quais "Chuva na Areia", "Origens", "Roseira Brava" e a série "Gente Fina é Outra Coisa". Mas lamentava que tivessem sido estas, e não o teatro, a fazer a sua popularidade, tornando-a conhecida por todos.

Uma das suas netas, Mónica Garnel, é actriz. Numa entrevista em 2003, o jornalista Adelino Gomes perguntava-lhe se alguma vez fizera as mesmas tentativas que os pais para que a neta não seguisse a carreira teatral. Não, respondia Mariana. “Ela própria está a lutar. Com dificuldades. Mas não desiste e continua. Porque a vida do teatro tem o dom de nos agarrar com paixão. Ao ponto de por vezes nos querermos desenvencilhar e não conseguirmos.”

17 de setembro de 2010

Astronomia: Investigador português recebe prémio internacional na Arménia


Porto, 17 set (Lusa) - O astrónomo Nuno Cardoso Santos, investigador do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP), recebeu hoje, na Arménia, o prémio internacional Viktor Ambartsumian.

Segundo o CAUP, o prémio, partilhado com os seus colegas Michel Mayor (Universidade de Genebra) e Garik Israelian (Instituto de Astrofísica das Canárias), foi atribuído pelo trabalho no estudo das estrelas que têm planetas em órbita e que fornecem indícios essenciais para a compreensão dos processos de formação planetária.

O galardão, no valor de cerca de 385.000 euros e considerado o mais importante na astrofísica depois do Prémio Nobel, será distribuído pelos três investigadores.

O Prémio Viktor Ambartsumian é atribuído, de dois em dois anos, e distingue investigadores, de qualquer país, por excecionais contributos para a ciência.

Este ano, foram nomeados 14 investigadores ou equipas, cabendo o prémio ao trio liderado pelo Professor Michel Mayor, que em 1995 codescobriu o primeiro exoplaneta à volta de uma estrela do tipo solar (51 Pegasi).

O júri que atribuiu o prémio é composto por físicos e astrónomos de renome, dos quais se destacam Martin Rees (Master do Tinity College da Universidade de Cambridge), Catherine Cesarsky (ex-diretora geral do ESO e ex-presidente da União Astronómica Internacional) e Geoffrey Burbidge (editor das revistas The Astrophysical Journal e Annual Review of Astronomy and Astrophysics).

Nuno Santos é autor de 128 artigos científicos publicados, com mais de 5200 citações.

Ao ter conhecimento do prémio, o investigador manifestou-se “obviamente muito feliz” e acrescentou “esperar, sobretudo, que este reconhecimento possa, de alguma forma, ajudar a astronomia nacional a fazer cada vez mais e melhor”.

Em comunicado, o CAUP refere que atualmente são conhecidos cerca de 500 planetas extra-solares, muitos dos quais (em especial os de pequena massa) descobertos pela equipa liderada pelo professor Michel Mayor.

Entre eles está o mais pequeno exoplaneta descoberto, Gliese 581e, com apenas 1,9 massas da Terra.

“Apesar do já elevado número de planetas extra-solares detetados, os mecanismos de formação destes sistemas são ainda pouco compreendidos. Por isso a equipa dedica-se também a tentar compreender melhor as propriedades destes sistemas planetários (e das suas estrelas-mãe), de modo a melhorar os atuais modelos de formação planetária”, acrescenta.

O Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP) foi criado em maio de 1989 (Programa Mobilizador de Ciência e Tecnologia) e iniciou as actividades em outubro de 1990. É uma associação científica e técnica privada, sem fins lucrativos e de utilidade pública reconhecida.

É a maior unidade de investigação na área da Astronomia em Portugal, considerada como “Excelente” nas últimas avaliações de Unidades I&D, efetuada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

11 de setembro de 2010

Moda: Felipe Oliveira Baptista assume direção criativa da Lacoste sem niglegenciar marca própria

Lisboa, 11 set (Lusa) – O convite para assumir a direção criativa da marca Lacoste foi para o designer de moda português Felipe Oliveira Baptista um “enorme desafio” que quer superar sem negligenciar a marca que criou em nome próprio.

"A palavra de que me lembro é desafio. É um enorme desafio em todos os sentidos”, disse esta semana o designer de moda à Lusa, já enquanto diretor criativo da Lacoste.

“Terei de conciliar a Lacoste com a continuação da minha marca. O meu tempo vai ser dividido entre as duas, deverei dedicar três dias por semana à Lacoste e dois à minha marca”, contou.

À partida, uma marca de roupa de grande distribuição associada ao “sportswear” não tem nada em comum com as criações de Felipe Oliveira Baptista, que apresenta as suas coleções na semana da moda de Paris. Mas o designer de moda discorda.

“A Lacoste é diferente. Mas tem vários valores comuns com a minha marca: dinamismo, grafismo, utilização da cor. À partida parecem muito diferentes, mas não são”, afirmou, acrescentando que o trabalho na marca francesa é “um complemento e não competição”.

Os primeiros três dias na Lacoste têm sido “bastante intensos”: “Estou a inteirar-me de todo o processo, do histórico das minhas funções. Estou numa fase de estudo e absorção”, disse, não querendo adiantar que ideias tem para a marca.

Felipe Oliveira Baptista nasceu em Portugal, mas está radicado em Paris há mais de uma década.

“Onde estou agora é uma imagem do meu percurso. Estudei e trabalhei em quatro países diferentes. Quando comecei a minha marca facilitou estar em Paris, para conseguir internacionalizar a marca”, disse.

A coleção de Felipe Oliveira Baptista para a primavera/verão de 2011 é apresentada no dia 23 deste mês em Paris e em outubro no Porto, durante o Portugal Fashion.

A primeira coleção do português para a Lacoste será apresentada apenas daqui a um ano, já que será a da primavera/verão de 2012.

2 de setembro de 2010

Lido no Parisien : Filipe Oliveira Batista nouveau directeur artistique de Lacoste


Lacoste a trouvé son nouveau directeur artistique en la personne de Felipe Oliveira Baptista. Le créateur portugais, déjà à la tête d'une marque éponyme reprend donc le flambeau laissé par Christophe Lemaire, parti chez Hermès. De nouvelles fonctions qui prendront effet dès le 1er septembre 2010.

Accumulant les nominations au prix de l'Andam, lauréat du Grand Prix du Festival de Hyères en 2002, ce surdoué diplômé de la Kingston University de Londres a intégré le calendrier officiel de la couture en 2005 et fait défiler ses collections de prêt-à-porter à Paris depuis 2009.

Felipe Oliveira Baptista présentera sa première collection pour Lacoste lors de la Fashion Week de New-York de juillet 2011. Dynamisée par la créativité de Lemaire depuis plusieurs saisons, la marque au crocodile a su imposer son style élégant et décontracté et compte bien, sous l'impulsion de Baptista, faire perdurer ses codes du sportswear couture.


Pour avoir un aperçu de ses oeuvres, rendez-vous sur son site www.felipeoliveirabaptista.com

19 de junho de 2010

Lido no Público : Maestrina Joana Carneiro distinguida com prémio nos Estados Unidos


A maestrina Joana Carneiro, directora musical da Berkeley Simphony, nos Estados Unidos, recebeu o prémio Helen M. Thompson, pelo seu “talento excepcional”, mostrando-se “muito comovida” com a distinção, por ter sido atribuída “ao fim de tão pouco tempo”.

Em comunicado, a Liga das Orquestras Americanas, que atribuiu esta distinção, refere que o prémio “reconhece o empenho de Joana Carneiro em alargar a comunidade base da Berkeley Simphony e a tradição da orquestra, ao apresentar trabalhos de compositores do nosso tempo”.

Contactada pela Lusa, Joana Carneiro mostrou-se comovida com a distinção e empenhada em continuar o trabalho que tem desenvolvido: “É um prémio que me comove muito porque foi atribuído ao fim de muito pouco tempo à frente de uma orquestra americana e é um grande incentivo para nós continuarmos e continuarmos a sonhar muito alto em Berkeley.”

Questionada sobre se pretende regressar a Portugal, a maestrina portuguesa, de 33 anos, disse que, tendo em conta a actividade a que se dedica, isso é “impossível”, mas disse estar muito ligada à música portuguesa, através da Orquestra da Gulbenkian. “Penso que a minha actividade artística está dividida de uma forma ideal neste momento: tenho a minha orquestra na Califórnia, onde passo entre oito a dez semanas por ano, trabalho com a Orquestra Gulbenkian, onde sou maestrina assistente, e viajo pelo mundo. Neste momento, penso que é o equilíbrio perfeito na minha vida artística”, afirmou.

No comunicado da Liga das Orquestras Americanas, a instituição sublinha que “em apenas uma época, o talento excepcional de Joana Carneiro inspirou os músicos da Berkeley Simphony e aumentou a qualidade do seu desempenho”.

A nota destaca ainda o facto de a maestrina portuguesa ter conseguido estabelecer “novas relações organizacionais e ligações mais profundas com o público”. “A resposta do público à liderança de Joana Carneiro pode ser medida pela taxa recorde de inscrições na orquestra na sua primeira temporada”, acrescenta o documento.

A maestrina portuguesa tornou-se diretora musical da Berkeley Simphony no início da temporada de 2009-2010.

O prémio Helen M. Thompson foi criado em 1981 para celebrar a vida e a obra de Helen M. Thompson, que promoveu a orquestra sinfónica nos Estados Unidos.

11 de junho de 2010

Lido no Libération : Gonçalves hérite du Centquatre

José Manuel Gonçalves a été élu hier directeur du CentQuatre, après un vote du conseil d’administration de cet établissement culturel de la ville de Paris (XIXe). L’animateur de la Ferme du buisson, à Marne-la-Vallée (Seine-et-Marne), préside aussi la société Made in productions et l’école de cirque de Rosny. Dans un communiqué, Bertrand Delanoë félicite celui qui défend un lieu «de créativité accessible à tous les publics, avec une programmation tournée vers toutes les disciplines». Gonçalves propose aussi des événements forains et jeunesse, des partenariats avec les théâtres de la Ville, du Rond-Point ou Monfort, les associations locales… Mais c’est un lieu en crise qu’il va devoir redresser, le collectif «le 104 occupé» ne manquera pas de lui faire des propositions sur le thème : «Un autre CentQuatre est possible.»

4 de junho de 2010

Óbito/João Aguiar: Escritor foi um dos cultores em Portugal do romance histórico (Perfil)

Lisboa, 03 jun (Lusa) - O escritor João Aguiar, o Tio João da série juvenil “O Bando dos Quatro” que morreu hoje em Lisboa vítima de cancro, foi um dos cultores em Portugal do chamado romance histórico, com “A Voz dos Deuses”, publicado em 1984.

João Casimiro Namorado de Aguiar nasceu em 28 de outubro de 1943 e viveu a infância entre Lisboa, cidade natal, e a Beira, em Moçambique. A mãe ensinou-o a ler para mantê-lo sossegado na cama, durante um longo período de doença, e de leitor interessado passou rapidamente a aspirante a escritor.

Aos oito anos, tentou ditar um livro de aventuras à irmã Maria João mas o sentido crítico dela arrasou-lhe as pretensões. Insistiu com novas obras que foi deitando para o lixo e teve mesmo um “primeiro” livro que só não viu a luz do dia porque a editora faliu antes. Só depois dos 40 anos publicou o primeiro romance, na Perspetivas & Realidades de João Soares: “A Voz dos Deuses”, uma ficção histórica centrada na figura de Viriato.

Seguiram-se duas dezenas de romances que o levaram a estudar a história mais remota de Portugal – regressou aos primórdios para falar de Sertório e publicou até um trabalho não ficcionado sobre o menino do Lapedo. Viajou para Macau com a ficção para escrever “Os Comedores de Pérolas” e “O Dragão de Fumo”.

Pelo meio, João Aguiar criou duas séries destinadas ao público mais jovem – “Sebastião e os Mundos Secretos” e o “Bando dos Quatro”, no qual ele próprio figura na personagem do Tio João. Fez também o libreto para a ópera “A Orquídea Branca” de Jorge Salgueiro, estreada em 2008.

A doença que veio a provocar-lhe a morte impediu-o de concluir o livro que preparava sobre a revolução de 1383.

João Aguiar frequentou em Lisboa os cursos superiores de Direito e Filosofia mas foi em Bruxelas que se licenciou em Jornalismo, profissão que entretanto tinha começado a exercer. Na Bélgica, fez um pouco de tudo, desde lavar escadas a trabalhar no Turismo de Portugal.

De regresso a Portugal, fez o serviço militar e uma comissão em Angola no sector da ação psicológica, produzindo rádio para as tropas.

Considerou-se sempre jornalista, mesmo passados largos anos desde que abandonara a actividade profissional. Começou pela RTP – onde também coordenou uma série da Rua Sésamo - e passou depois por jornais como Diário de Notícias, A Luta, O País. Fez rádio no Canadá, onde trabalhou com Henrique Mendes.

Dizia-se um “monárquico não tradicionalista”, justificava-o “por uma questão pragmática”. O último romance que publicou – “O Priorado do Cifrão” – era uma “charge” ao mundo criado por Dan Brown.

Numa autobiografia irónica que escreveu para o jornal de Letras em 2005, João Aguiar concluía: “A minha vida não dava um livro, e ainda bem. Em compensação, o facto de os meus livros darem uma vida – boa ou má, não importa para o caso – , esse facto devo-o, em grande parte, aos momentos de não-glória que acabo de relatar. E estou-lhes muito grato.”

30 de novembro de 2009

Lido na Lusa : Cancro : Portugueses descobrem pela primeira vez gene mutado

Lisboa, 30 Nov (Lusa) - Investigadores portugueses identificaram pela primeira vez um gene mutado no cancro gastrointestinal que poderá servir num futuro próximo como biomarcador de prognóstico ou ajudar a desenvolver novos fármacos.

O trabalho, a publicar em breve pela revista Human Molecular Genetics, foi realizado por uma equipa do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) liderada por Raquel Seruca, em colaboração com colegas do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA) e do Instituto de Biotecnologia e Bioengenharia (IBB) do Instituto Superior Técnico.

"Desde há muito tempo que nos preocupamos em encontrar genes mutados, especialmente nos cancros colo-rectal e gástrico, que possam servir como biomarcadores para perceber o estado da doença, modificar a terapêutica dos doentes ou desenvolver novas drogas", disse Raquel Seruca à Lusa.

"A novidade da descoberta é que este gene nunca até agora tinha sido descrito como estando mutado no cancro e vai ser descrito pela primeira como um gene participante no desenvolvimento do cancro colo-rectal e do estômago, e provavelmente implicado noutro tipo de neoplasias" - sublinhou.

Durante o estudo, que demorou cerca de três anos, os investigadores analisaram uma série de tumores de doentes de várias origens (Finlândia, França, Itália, Suécia e Espanha) nos quais constataram mutações do novo gene em cerca de 21 por cento dos casos de um tipo particular de cancro colo-rectal e do estômago.

Como se tratava de um gene novo e era necessário perceber a importância das alterações, foi submetido a múltiplos estudos, nomeadamente bioinformáticos, nos quais participaram as equipas de Arsénio Fialho, do IBB, e de Peter Jordan, do INSA, explicou a geneticista.

Os trabalhos incidiram em culturas celulares in vitro e em ratinhos atímicos in vivo para perceber a importância das mutações.

Os investigadores concluíram que essas mutações eram capazes de modificar o comportamento das células, tornando-as agressivas e invasoras, tendo por isso capacidade oncogénica, e que o gene mutado participa no cancro colo-rectal.

Raquel Seruca salientou que este gene “poderá constituir um novo alvo terapêutico, um biomarcador para prognóstico do cancro ou servir para perceber quais os tipos de doentes que podem beneficiar de algumas terapêuticas que estão a ser utilizadas no cancro colo-rectal e, eventualmente mais tarde, no do estômago”.

O estudo foi conduzido por Sérgia Velho, uma estudante de doutoramento da equipa de Raquel Seruca, que chefia o grupo da Genética do Cancro do IPATIMUP.

O grupo estuda essencialmente alterações genéticas envolvidas na iniciação de alguns tipos de neoplasias, nomeadamente nas do estômago, do cólon e da mama, ou em alterações genéticas que participam na invasão celular, num processo importante do desenvolvimento do cancro.

"Estudamos uma série de moléculas que são importantes na modificação das propriedades adesoras entre células e portanto perturbadoras da estrutura dos tecidos", explicou a investigadora.

15 de novembro de 2009

Lido no Público : Investigador português participa no maior estudo genético sobre Doença de Parkinson

Trabalho que encontrou factores de risco envolveu mais de 13 mil amostras de diferentes países e é publicado hoje na Nature Genetics.

Mais de cinco mil pessoas com a Doença de Parkinson e oito mil indivíduos saudáveis foram alvo de uma pesquisa a centenas de milhares de marcadores genéticos. O estudo de larga escala confirmou que alguns genes envolvidos nas formas familiares da doença têm um papel na forma mais comum e identificou novas regiões em cromossomas que também estão ligadas à forma esporádica desta doença. As variações genéticas encontradas em vários genes identificados são factores de risco para a forma mais comum da doença de Parkinson. Apesar de ser muito complicado quantificar, é possível afirmar que uma pessoa que possua variações em todos estes marcadores terá um risco de desenvolver a Doença de Parkinson na ordem dos 25 por cento.

O artigo - que conta com a participação do investigador português José Tomas Brás - é publicado hoje na Nature Genetics por uma equipa coordenada pelo Laboratório de Neurociências do Instituto Nacional de saúde dos EUA, com um trabalho semelhante realizado no Japão. Reúne-se, assim, na mesma revista o maior estudo genético sobre a Doença de Parkinson que permite cruzar dados entre a população asiática e caucasiana. No total, somando os dois trabalhos independentes, foram encontrados cinco genes. Porém, falar em SNCA (gene que codifica a alfa-sinucleina) MAPT (gene que codifica a tau), LRRK2 (gene que codifica a dardarina), ou PARK16 (nova região cromossómica no cromossoma 1 associada a doença) é o mesmo que nada. Estes foram os marcadores associados à Doença de Parkinson detectados no estudo que envolveu a população caucasiana, usando amostras da população norte-americana, alemã e britânica. Genes que antes tinham sido associados SNCA, LRRK2 e MAPT a formas raras da doença por mutações (SNCA, LRRK2 e MAPT), surgem agora também ligados às formas mais comuns de Parkinson.

Vamos então tentar responder à questão incontornável do “para que serve” este conhecimento genético. “Em termos de terapêutica estamos muito longe de isto poder ter uma aplicação. Em termos de abordagem da doença isto permite-nos dizer que genes que nós pensávamos estarem na origem de formas raras e familiares, afinal estão envolvidos nas formas comuns da doença, e as formas comuns são por definição as mais frequentes”, explica José Tomas Brás, investigador do Centro de Neurociências de Coimbra que se encontra nos EUA a fazer um doutoramento. É, diz, muito difícil quantificar o risco de vir a desenvolver a doença perante variações nestes marcadores. “Tentámos fazer isso mas é difícil. Varia de população para população. A totalidade destes marcadores pode aumentar o risco em 25 por cento. Mas trata-se de um número que tem de ser interpretado com muito cuidado. Diferentes populações vão ter diferentes riscos. Diferentes combinações destes marcadores vão ter diferentes riscos”.

No caso da PARK16, trata-se de uma nova região cromossómica encontrada no cromossoma 1 e que foi associada a doença nos dois estudos independentes. “É uma região onde existem vários genes que se mostra associada tanto na população asiática como na população caucasiana e que não descobrimos ainda qual é o gene que nesta região está a exercer o risco para a doença, é um dos passos seguintes que vamos ter”, refere Jose Tomas Brás. Por outro lado, as variações encontradas nos doentes no gene que codifica a tau (MAPT) não foram encontradas no estudo realizado no Japão.

O trabalho que contou com a participação do investigador português teve duas fases distintas e uma ajuda preciosa das mais modernas técnicas de estudo de associação de genoma completo. “O que podemos utilizar agora, os chamados chips de DNA, permitem de uma só vez olhar para um numero enorme de marcadores no genoma. No nosso caso, inicialmente testámos para cada amostra cerca de 550 mil marcadores distribuídos pelo genoma. Após um controlo de qualidade ficaram só cerca de 400 mil”.

Primeiro foram testados 1700 doentes e cerca de quatro mil controlos e procuraram-se aqui sinais de associação. Quais os marcadores associados à doença. Mais do que a cerca de dezena de genes que já se sabia estarem ligados à doença, os investigadores quiseram testar tudo. A segunda etapa do estudo envolveu um grupo maior de doentes e controlos mas, desta vez, apertou-se a malha do filtro e apenas foram testados os 384 melhores marcadores encontrados.

Se se tratam de marcadores que todos temos, o que faz com que a doença se desencadeie numa pessoa e não noutra? “Não sabemos ainda. Será um dos passos seguintes”. Depois de descobertas estas regiões associadas à doença é preciso ver quais são as variantes nos genes – podem ser mutações se forem raras - que causam este risco e estudar o papel das proteínas. “Para já, isto são marcadores que todos nós temos, os dois alelos de cada um, toda a gente tem as várias combinações. Eles aparecem é mais nos doentes do que nos controlos”, diz concluindo: “O que sabemos é que estes marcadores estão associados à doença. Não fazemos ideia como. Não sabemos como exercem o seu efeito”. Isso ainda está para vir.

4 de novembro de 2009

Lido no Público : Investigadora portuguesa distinguida pela Organização Europeia de Biologia Molecular


A cientista Mónica Bettencourt Dias foi hoje distinguida pela Organização Europeia de Biologia Molecular (EMBO, na sigla em inglês) ao ser incluída na lista anual do organismo dos mais talentosos jovens cientistas da Europa. A investigadora, que dirige o Laboratório de Regulação do Ciclo Celular do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), foi um dos 17 seleccionados neste programa da EMBO, entre 123 candidaturas. Os cientistas distinguidos são de nove países diferentes, com uma média de idades de 36 anos.

Criado há sete anos, o programa destina-se a identificar os mais prometedores e criativos jovens cientistas europeus, aos quais é facultada ajuda académica, prática e financeira para os anos cruciais das suas carreiras.

Contactada pela Lusa, Mónica Bettencourt Dias congratulou-se com a distinção, tanto pelo que significa de reconhecimento do seu trabalho, como pelas portas que lhe abre. “Acho importante porque reconhece e dá visibilidade internacional à Ciência que se faz em Portugal, que está a crescer, e isso atrai mais colaborações e mais financiamentos”, disse a investigadora. Por outro lado, para Mónica Bettencourt Dias “o prémio facilita uma rede de contactos, de pessoas e de utilizações de instituições e de equipamentos a que não teria acesso de outra maneira, o que representa uma grande vantagem para o meu laboratório”.

A distinção da EMBO implica a atribuição de 15 mil euros anuais durante quatro anos pelo país-membro da EMBO onde se encontra o laboratório do investigador, neste caso através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

O trabalho que desenvolve desde 2006 no IGC incide nos mecanismos de divisão celular e já mereceu a Mónica Bettencourt Dias, no ano passado, uma “Bolsa de Instalação” da EMBO para estudar a formação do centrosoma, uma estrutura das células que ajuda a regular a sua multiplicação e cuja compreensão pode abrir caminho a novos marcadores de diagnóstico e prognóstico em casos de cancro, bem como a novos alvos terapêuticos.

Mónica Bettencourt Dias é licenciada em Bioquímica pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e regressou em 2006 de Inglaterra, onde se doutorou em Biologia Celular no University College of London.

25 de outubro de 2009

Qui est Serge Vieira ?

Bocuse d’or 2005, Serge Vieira vient d’ouvrir un restaurant à la déco ultra-contemporaine enterré sous le château de Couffour à Chaudes-Aigues, en Aubrac.

Serge Vieira vient d’ouvrir son restaurant (Le Couffour - 15110 Chaudes-Aigues - www.sergevieira.com - Tél. : 04 71 20 73 85). C’est un grand complexe ultra-contemporain, avec toiture végétalisée, installé sous un château du 14e s., le château de Couffour. Ce site merveilleux, véritable balcon au-dessus de Chaudes-Aigues et des gorges de la Truyère, offre une vue dégagée à plus de 180°…

Ce jeune chef de 26 ans n’est pas n’importe qui. Ancien second de Régis Marcon (trois étoiles à l’Auberge des Cimes à Saint-Bonnet-le-Froid en Haute-Loire), Serge Vieira a gagné le Bocuse d’or 2005 – une distinction qui mène rapidement au premier macaron Michelin. Cette année-là, le président du jury n’était autre qu’un voisin restaurateur de l’Aubrac : Michel Bras, trois étoiles à Laguiole et ambassadeur universel de ce pays qu’il chérit tant.
Le restaurant de Serge Vieira, avec sa baie vitrée panoramique face à l’Aubrac, s’inspire d’ailleurs de la maison Bras. On regrette néanmoins que le chemin d’accès du restaurant soit aussi solennel qu’interminable et que l’on doive affronter le vent, voire la pluie, avant de trouver l’entrée.
Sans être de l’Aubrac, Serge Vieira est néanmoins 100 % Auvergnat, natif de Clermont-Ferrand. C’est ce retour au bercail qui lui vaut sans doute le sourire rayonnant qu’il arbore en permanence. Ou bien sa superbe cuisine high-tech de 90 m2, dans laquelle il nous montre par exemple un four programmable avec port USB !
Pour autant, le jeune chef revendique une « cuisine sans mode d’emploi » qui tire son « inspiration de la nature et des produits frais ». Il y a quelques gelées et quelques émulsions, mais le produit est respecté dans son intégrité, comme ce saumon mi-cuit à basse température.

La carte, qui propose volontairement deux menus seulement (45€ et 75€), change en général toutes les trois semaines et fait la part belle aux produits de saison. Serge chante d’ailleurs les louanges du marché de Rodez, mais traque partout, jusque dans le Languedoc, les petits légumes qu’il adore (petits pois, fèves, pousses de salades, etc.).

Quelques plats


Foie gras rôti purée de betterave à la fleur d’oranger
Lapin de cabane, pomme de terre ratte écrasée, céleri dans tous ses états et amandes
Dos de saumon cuit à 50°C, fine gelée d’oseille
Filet de dorade aux artichauts, beurre monté aux noisettes et pousses de jeunes salades
Pigeon élevé au grain, petits pois et chou cœur de bœuf, carotte fondante, polenta aux olives noires
Tartelette croquante fraise rhubarbe au poivre Maniguette, crème glacée au miel

14 de outubro de 2009

Aurora de Freitas, lauréate 2009 du Prix du Marché Unique













Aurora de Freitas, 65 ans, est citoyenne portugaise vivant en France depuis 1968. Elle reçoit aujourd'hui le Prix du Marché unique, qui sera remis pour la toute première fois.
Celui-ci, décerné à une entreprise, une personne ou une organisation ayant contribué à améliorer le marché intérieur, a été attribué à Aurora de Freitas pour son action visant à éliminer les obstacles auxquels les ressortissants portugais étaient confrontés dans l'obtention d'un permis de séjour en France.

- J'ai été très surprise et je n'ai pas su très bien comment réagir. Je ne me suis pas consacrée à cette cause pour être récompensée, mais je suis très heureuse et honorée de recevoir cette distinction, déclare Aurora de Freitas à propos de sa réaction à l'annonce de l'attribution du prix.
La lauréate a été présentée aujourd'hui par Ewa Björling, Ministre déléguée au commerce, et Jörgen Holmquist, Directeur général de la DG « Marché intérieur et services » de la Commission européenne, lors de la réunion informelle des ministres en charge de la compétitivité, à Umeå.

- Le Prix du Marché unique est attribué à une citoyenne qui a compris que la lutte pour les droits des personnes au sein du marché intérieur est un combat digne d'être mené, a déclaré Ewa Björling lors de la cérémonie de remise du prix.

La détermination à se battre est précisément une qualité propre à Aurora de Freitas. La lauréate du Prix du Marché unique a suivi la scolarité de base. À seize ans elle a commencé à travailler comme couturière avant de venir s'installer en France où elle a consacré son temps libre à aider d'autres personnes à revendiquer leurs droits au sein du marché intérieur. Aujourd'hui à la retraite, elle continue à aider les gens qu'elle rencontre dans son entourage. Elle travaille à domicile et couvre toutes ses dépenses.

- Aider les autres n'a pas de prix, commente-t-elle.

Aurora de Freitas raconte de quoi son quotidien était fait lorsqu'elle travaillait encore derrière sa machine à coudre. Parfois, elle se levait à quatre heures du matin pour avoir le temps de coudre quelques heures avant de se rendre, vers sept heures du matin, auprès de l'administration en question, pour être la première dans la file d'attente à l'ouverture du bureau d'accueil. Selon Aurora de Freitas, sa motivation naît du fait qu'elle ne supporte pas de voir les gens malheureux.

- Je suis quelqu'un de très positif et patient, ce qui me permet toujours de penser que je vais réussir et me donne la force de continuer, dit-elle.

Un exemple de l'engagement d'Aurora de Freitas, qui a aussi motivé que le Prix du Marché unique lui soit décerné, est la campagne personnelle qu'elle a menée en 2004 pour faciliter l'obtention, par les ressortissants portugais, d'un permis de séjour sur le territoire français. Elle a, pour cette cause, écrit dans la presse, s'est exprimée à la radio et s'est adressée aux autorités. Elle a même écrit à José Manuel Barroso, Président de la Commission, qui lui a donné raison. Grâce au centre SOLVIT en France elle a finalement réussi à trouver un article de loi français (Décret nº 94-211, 11/03/1994) stipulant que les ressortissants de l'UE ne sont pas tenus de d'être en possession d'un permis de séjour, ce qui, dans la pratique, implique qu'ils peuvent demeurer en France.

Aurora de Freitas reconnaît que malgré la patience qu'exige son travail, elle n'est jamais découragée par toute la bureaucratie à laquelle elle est confrontée.

- Je rencontre bien sûr des situations administratives injustes, mais s'arrêter là serait renoncer. Je n'en ai pas toujours la force, mais je dois tout de même continuer, déclare-t-elle.

(Photographe: Gunnar Seijbold/Regeringskansliet)