Mostrar mensagens com a etiqueta língua. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta língua. Mostrar todas as mensagens

17 de setembro de 2011

Língua: Novo ritmo escolar em França preocupa coordenação do ensino do Português

Paris, 17 set (Lusa) – A anunciada alteração do ritmo escolar em França, com reforço dos dias letivos, é “motivo de apreensão” para os professores de Português, afirmou hoje a respetiva coordenadora à Agência Lusa em Paris.

“O problema é que será cada vez mais difícil conseguir adaptar as horas de Português à mudança de ritmo escolar anunciada pelo Ministério da Educação francês”, afirmou Adelaide Cristóvão, coordenadora geral do ensino do Português em França.

Só cerca de um quarto dos cursos de Português em França são lecionados em horário integrado. A situação mais comum é que o Português é lecionado em horários diferidos, no final da tarde e nos dias em que as escolas estão fechadas, origem aliás de outro tipo de dificuldades para as crianças que pretendem aprender a língua portuguesa.

Por enquanto, “estamos num compasso administrativo” de início de ano letivo para os cursos diferidos, entre a chegada dos professores e a sua apresentação nas respetivas inspeções de ensino, uma formalidade essencial para poderem iniciar o ano letivo.

Os cursos integrados começaram ao mesmo tempo que a generalidade das escolas do país, a 05 de setembro, abertura oficial do ano letivo de 2011-2012 em França, acrescentou Adelaide Cristóvão.

O motivo de apreensão adicional prende-se com a anunciada alteração de dias e de horários letivos para todas as escolas francesas.

Até agora, os alunos em França não tinham aulas à quarta-feira e, nos outros dias de semana, as aulas terminam às 16:30, o que possibilita o início de cursos de Português, em diferentes regimes, cerca das 17:00.

Com o aumento do ritmo escolar, que introduzirá também aulas à quarta-feira, intercaladas, as aulas terminarão mais cedo, o que coloca um problema de “como preencher horas ou tempos vazios antes das aulas de Português”.

O problema torna-se mais agudo quando se sabe que muitos dos alunos que frequentam Português têm de deslocar-se para uma escola diferente, muitas vezes noutra localidade, para ter a sua aula de hora e meia de “língua e cultura de origem”, ou ELCO.

Adelaide Cristóvão admitiu também que “têm aumentado as dificuldades de abertura de escolas à quarta-feira e aos sábados” para os cursos de Português.

“São problemas difíceis de gerir”, declarou.

“Por um lado, as preocupações de segurança são maiores e há mais entraves administrativos para que um professor fique ‘responsável’ por uma escola em dias em que não está o pessoal normal e em que é preciso abrir instalações de propósito”, explicou a coordenadora do ensino do Português.

“Por outro, a abertura das escolas para os cursos, à quarta e ao sábado, acarreta custos de pessoal e de instalações (aquecimento, etc.) que as coletividades territoriais (equivalente às autarquias) têm cada vez mais reservas em assumir”, segundo Adelaide Cristóvão.

A coordenadora do ensino sublinha também que “como é sabido, o Português não é muitas vezes acarinhado pelas instituições francesas e continua a ser visto como um ‘gueto’ da emigração”, apesar de oficialmente o ELCO se destinar a qualquer criança, com ou sem origem portuguesa.

Adelaide Cristóvão acrescenta que “é uma verdade que as línguas têm o peso económico dos seus países”, o que não beneficia Portugal.

No ano letivo anterior, existiam 11.300 alunos de ELCO em 607 escolas apoiadas pelo Estado português (que fornece os professores), quase 3.000 em Português como ”Língua Viva” em 42 escolas, cerca de mil alunos em 38 associações apoiadas por Portugal (em geral em zonas geográficas não abrangidas pelo regime ELCO) e 870 nas secções internacionais de uma dezena de liceus e de escolas primárias.

15 de julho de 2011

Língua: O português pode dar emprego "noutros lugares do mundo" – Instituto Camões

Lisboa, 15 jul (Lusa) – A língua portuguesa “está a explodir em muitas regiões do mundo”, abrindo “perspetivas de emprego”, se não em Portugal, “noutros lugares do mundo”, afirma a presidente do Instituto Camões (IC).

Ana Paula Laborinho fez estas declarações à Lusa, à margem do colóquio internacional “Percursos, trilhos e margens: receção e crítica das Literaturas Africanas em Língua Portuguesa”, que termina hoje, no pólo de Lisboa do Centro de Estudos Sociais (CES), onde deixou um “apelo aos mais jovens” para aderirem às “formações em língua portuguesa”.

É preciso “agarrar” a oportunidade de a língua portuguesa estar “a explodir em muitas regiões do mundo”, defende. Após “um enorme decréscimo dos estudos nestes domínios”, há agora “perspetivas de emprego” nesta área, embora em Portugal não haja “tantos lugares”, frisa.

Assegurando que esta será uma aposta do IC, Ana Paula Laborinho reconhece, porém, que o dinheiro para o fazer “nunca é muito”. Já no campo das políticas, acredita que não haja grandes alterações com o novo Executivo PSD-CDS/PP, que manteve no Programa do Governo, assinala, a promoção da língua portuguesa, nomeadamente como ativo económico.

A responsável pelo IC considera que as literaturas estão atualmente num “ponto crítico”. “O espaço que era ocupado pelas literaturas há uns anos tem vindo a perder-se e isso é uma constatação em muitos países europeus”, nomeadamente “ao nível curricular”, concretiza.

A predominância das áreas técnicas “tem levado a uma fragilização das Humanidades” a nível “global”, refere. “São atualmente áreas menos escolhidas”, mas Ana Paula Laborinho, ela própria professora de Literatura, acredita que esta “crise das Humanidades” tem os dias contados.

“Acredito profundamente que momentos de crise como aqueles que vivemos fazem retomar o lugar das Humanidades, porque cada vez há mais apelos a que se pense, a que haja uma reflexão, a que se possa pensar o futuro a partir do passado”, explica. “Uma sociedade globalmente em crise precisa de se pensar e as Humanidades são esse espaço de pensamento”, sustenta.

Nos Estados Unidos, exemplifica, “já se começa a perceber que mesmo para as organizações técnicas as formações em Humanidades são mais-valias, pela sua visão transversal”, porque as organizações não sobreviverão “sem massa crítica” e “só com uma perspetiva estritamente técnica”.

O colóquio internacional sobre as literaturas africanas de língua portuguesa começou na quinta-feira e termina hoje, tendo proposto uma reflexão a académicos, editores (Caminho, Afrontamento e D. Quixote) e representantes de instituições culturais envolvidos na produção e divulgação das literaturas africanas de língua portuguesa.

Entre os escritores presentes no colóquio estão a angolana Ana Paula Tavares e a guineense Odete Semedo. O escritor angolano José Luandino Vieira cancelou a sua vinda à última hora, por motivos de saúde.

26 de maio de 2011

Língua: Novo dicionário bilingue português-inglês, uma ferramenta essencial até para ir às compras


Londres, 26 mai (Lusa) - Um dicionário bilingue português-inglês com as traduções corretas dos nomes dos peixes, do canto do galo e até de palavrões foi o resultado de quatro anos de trabalho de Maria Fernanda Allen.

Professora há 30 anos na escola de línguas da Universidade de Westminster, Maria Allen é também tradutora e trabalhou com intérpretes e sempre se incomodou com as imprecisões em alguns dicionários.

Mas é no quotidiano que mais se irrita por ver chamar nomes como “roberto”, “marlusa” ou “brota” à pescada, que em inglês se traduz corretamente por “hake”.

“É que eu sou dona de casa também e vou muitas vezes a Portugal, ao Algarve. Adoro ver aqueles mercados lindos que não temos aqui, e consequentemente fico ofendida quando vejo um nome diferente do peixe”, lamentou à agência Lusa.

Recentemente, confrontou uma peixeira, que lhe explicou que tinha sido uma senhora inglesa a indicar a tradução mas o resultado era que estava a vender um “peixe completamente diferente”.

Outro peixe cujo nome vê frequentemente mal traduzido por “swordfish” é o peixe-espada, denominado corretamente por “cutlassfish”.

“Em vários dicionários estão a dar-lhe o título de ‘swordfish’ porque estão a traduzir diretamente do inglês, mas se for a um mercado aqui e olhar para o tal ‘swordfish’ [percebe que] é completamente diferente do peixe-espada”, vincou.

Maria Allen reconhece que “nenhum dicionário é perfeito”, mas tentou fazer a obra, lançada na quarta-feira em Londres pela editora Routledge, o mais completa e atualizada possível.

Além das traduções corretas de certas palavras e termos especializados de direito ou economia, incluiu expressões idiomáticas, interjeições, coloquialismos, onomatopeias, como a linguagem dos animais, e até palavrões.

Por exemplo, enquanto o canto do galo é escrito “cocorocó” em português, na língua inglesa é “cock a doodle doo”.

O dicionário é bilingue Português-Inglês e Inglês-Português e inclui referências às especificidades do português europeu, africano e brasileiro e do inglês britânico e americano.

Tem informação sobre nacionalidades e toponímias, factos culturais dos países lusófonos e anglófonos, uma tabela de equivalência de medidas e pesos e um guia com as alterações introduzidas pelo acordo ortográfico.

4 de maio de 2011

CPLP: Afirmação da língua portuguesa no mundo é processo moroso, mas está em curso – secretário executivo

Lisboa 04 mai (Lusa) – A afirmação da língua portuguesa no mundo é um processo que vai levar o seu tempo mas que está em curso, destacou o secretário executivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), Domingos Simões Pereira.
 
“É um processo que está em curso, ainda bem que nós temos alguma pressa em ver as coisas acontecerem, mas é preciso alguma paciência. A afirmação da língua portuguesa, daquilo que é nosso, vai levar o seu tempo, mas é importante registar que estamos no bom caminho”, afirmou Domingos Simões Pereira.

O secretário executivo da comunidade falava à Lusa por ocasião das comemorações do “Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP”, que se assinala na quinta-feira.

Domingos Simões Pereira destacou a importância de se comemorar e celebrar a língua portuguesa e cultura lusófona, vincando que “estas são a base da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e os fatores através dos quais identificamos os nossas traços comuns”.

O secretário-executivo da CPLP adiantou que, este ano, a efeméride será comemorada tanto nos estados-membros lusófonos, como nos mais diversos e longínquos países, da Bulgária a Cuba.

“As comemorações vão acontecer em sítios tão inspetáveis que só depois conseguiremos dar a devida conta da atenção que este dia mereceu. Mas posso adiantar que diferentes grupos de embaixadores da CPLP estão a organizar eventos nos mais diversos países, da Bulgária ou África do Sul a Cuba”, afirmou Simões Pereira.

O dia 05 de maio foi fixado como a data em que é anualmente comemorada a “Língua Portuguesa e a Cultura na CPLP” pelos chefes da diplomacia lusófonos, no âmbito do XIV Conselho de Ministros da CPLP, realizado em junho de 2009, em Cabo Verde.

Para assinalar o dia, o secretariado executivo da CPLP promove, na quinta-feira, uma conferência sob o tema na Sociedade de Geografia de Lisboa, que contará com as intervenções do professor catedrático e ex-ministro Adriano Moreira e da presidente do Instituto Camões, Ana Paula Laborinho.

No debate, que será moderado pelo embaixador António Monteiro, também deverá participar Aguinaldo Jaime, coordenador da comissão de reestruturação da Agência Nacional para o Investimento Privado de Angola (ANIP), entre outros.

O Instituto Camões vai celebrar a efeméride através de uma exposição bibliográfica de autores de língua portuguesa traduzidos.

Já a Feira do Livro comemora o "Dia da Língua Portuguesa e da Cultura da CPLP" com um debate sobre a língua portuguesa e o Museu do Oriente é palco para a iniciativa "Se estas paredes falassem".

2 de maio de 2011

Patentes: Defesa da língua portuguesa no registo europeu alvo de conferência em Lisboa

Lisboa, 01 mai (Lusa) - A defesa da manutenção da língua portuguesa para registar patentes de propriedade industrial na Europa vai estar em debate numa conferência marcada para segunda-feira, no Grémio Literário, em Lisboa.

A conferência é organizada pela Associação Portuguesa dos Consultores em Propriedade Industrial (ACPI) e irá reunir deputados do PCP e do CDS-PP, que, apesar de estarem em linhas ideológicas diferentes, têm defendido o combate à submissão das diretivas europeias nesta questão.

De acordo com Gonçalo Sampaio, secretário-geral da ACPI, a União Europeia (UE) pretende criar uma diretiva que determina o uso apenas do inglês, francês e alemão no registo de patentes da propriedade industrial na Europa.

O responsável explicou que Espanha e Itália já se manifestaram contra esta norma, em defesa do uso da própria língua no registo das patentes, e a UE deverá avançar com a diretiva, mantendo exceções nestes estados membros.

"O Governo português deixou cair esta batalha, o que é lamentável, pois trata-se de uma questão de interesse nacional", sustentou, em declarações à agência Lusa.

Para o secretário-geral da ACPI, está essencialmente em causa a questão de princípio da manutenção da língua portuguesa, "a terceira mais falada no mundo, e que deveria ser defendida para não cair do outro lado do fosso de separação entre línguas de primeira e segunda categoria".

Por outro lado, a diretiva implica "custos acrescidos para o registo de patentes noutra língua que não a portuguesa, o que não é nada vantajoso para o setor nacional, sobretudo numa altura de dificuldades económicas".

Gonçalo Sampaio recordou que a Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) também já se manifestou a favor da manutenção da língua portuguesa no registo de patentes.

O responsável indicou que "ainda não é tarde para o atual Governo mudar de posição e defender os interesses nacionais nesta matéria" e "lutar contra a ameaça da extinção da língua portuguesa como fator de ligação no sistema de patentes e preservação da cultura lusa no mundo".

Por outro lado, indicou que a conferência prevista para segunda-feira - intitulada “A patente da União Europeia, o futuro da Língua Portuguesa e o Parlamento Português” - irá reunir os deputados do PCP e do CDS-PP, João Oliveira e José Ribeiro e Castro, presidente da Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas.

Os deputados são autores de projetos de resolução na última sessão legislativa relacionados com a temática, e vão falar sobre o tema, assim como o responsável da Associação de Patentes de Espanha, Luis Alfonso Durán, que tem acompanhado a posição do Governo de Madrid sobre a matéria.

José Ribeiro e Castro sublinhou que o CDS-PP apresentou na Assembleia da República dois projetos de resolução no sentido de Portugal "se afastar da cooperação forçada pela UE em impor o regime das três línguas, o que é lesivo dos direitos e da importância da língua português ano mundo".

Além disso, "afeta profundamente os interesses das indústrias portuguesas, e, em geral, os interesses económicos de Portugal são afetados", acrescentou à Lusa.

A Lusa tentou contactar João Oliveira, deputado do PCP, sobre a mesma matéria, mas até agora sem sucesso.

A conferência conta ainda como parceiros organizadores o grupo português da Associação Internacional para a Protecção da Propriedade Intelectual (AIPPI) e a Associação dos Mandatários Europeus de Patentes (AMEP).

24 de fevereiro de 2011

Língua: Diversificação do português está a alargar o seu âmbito de existência

Macau, China, 24 fev (Lusa) – A diversificação do português está a alargar o seu âmbito de existência e a formar um sistema muito mais amplo que vai projetar a língua no segundo milénio, defendeu a académica Inocência Mata, da Universidade de Lisboa.

A participar em Macau na conferência internacional “A Lusofonia entre encruzilhadas culturais”, Inocência Mata defendeu que a diversificação da língua “alarga o seu âmbito de existência e está a formar um sistema muito mais amplo e muito mais persistente, muito mais duradouro, muito mais enriquecido que vai projetar a língua portuguesa para o segundo milénio”.

“Parece paradoxal a formulação” (da sua comunicação) - “Estratégias de convergência na diversificação da língua portuguesa” – mas a académica, que recorreu a três escritores de tempos diferentes para sustentar a sua tese – os angolanos Uanhenga Xitu, Leondino Vieira e o moçambicano Mia Couto – defendeu que não são os escritores a “subverter” a língua, mas sim a “inscrever no sistema da língua portuguesa uma outra forma de dizer em português geografias culturais muito diferentes”.

“A língua portuguesa está a diversificar-se e na verdade é nessa diversificação que está a unidade da língua portuguesa e a riqueza da língua portuguesa”, disse.

O português, acrescentou, “está a ser enriquecido com uma fonte cultural existente em cada país” e o que os escritores fazem é “refratar esse processo de recriação da língua portuguesa” que cada povo está a fazer à sua maneira, com a sua cultura e também com os seus crioulos.

27 de janeiro de 2011

Lido no Público : Já se "focalizou" no português que anda a falar?

No domingo passado, quando as televisões anunciaram os resultados das sondagens, o nome que se ouviu nos vários canais abertos nacionais foi Cavaco Silva. Mas para quem assistiu aos programas de análise do processo eleitoral, o verdadeiro vencedor foi outro: a palavra "focalizar".

Toda a gente "focalizou" na noite de domingo: ministros disseram que era hora de nos "focalizarmos" nos verdadeiros problemas do país, comentadores políticos abriram as suas intervenções assinalando que iam "focalizar-se" no discurso vingativo de Cavaco, membros dos media interromperam-nos para fazer a emissão "focalizar-se" neste ou naquele hotel onde políticos de ar muito - como dizer? - "focalizado" se aprestavam a começar os seus discursos. Foi, sem dúvida, uma vitória estrondosa.

Até há uns anos, quando a pessoa A achava que a pessoa B estava desconcentrada dizia: "Tens de te concentrar." Hoje, se quiser fazer-se entender, terá de dizer: "Foca-te."

O verbo "focalizar" usado - como tem sido - no sentido de "concentrar" é um anglicismo e deriva do inglês "to focus". Por interferência fonética chega-se ao verbo "focar". A este tem sido recentemente aplicado o sufixo "izar". O resultado, "focalizar", é um neologismo semântico, uma palavra que já existia, com um sentido restrito, e que ganhou um novo sentido.

Este é apenas um dos muitos casos de deturpações que se têm infiltrado na língua portuguesa, tornando-se de uso corrente. Já tínhamos o "salvar" (no sentido de "gravar") vindo de "to save"ou "printar" (no sentido de "imprimir") vindo de "to print". Mas recentemente há toda uma nova vaga de neologismos semânticos, que vão de "realizar" (no sentido de "aperceber-se de") a "ilusão" (no sentido de "esperança").

Pergunta fatal: devemos começar a preparar as exéquias à língua portuguesa?

Para os três linguistas e um publicitário que o P2 consultou a este propósito, é mais ou menos consensual que a língua é um ser mutável, as palavras têm de vir de algum lado e tanto quanto se sabe o português ainda não está ligado à máquina.

Mas nas bocas das gentes pairaum new portuguese que traz aos discursos bastantes - e cómicas - complicações, particularmente a quem conhece a língua.

A maior parte destas "novas" palavras é um anglicismo, como no caso de "focar" e "focalizar" no sentido de "concentrar". O que para o investigador e linguista Malaca Casteleiro "é uma barbaridade".

Outro "anglicismo claríssimo" é o verbo "realizar" usado no sentido de "aperceber-se de" e derivado de "to realize". O linguista Carlos Gouveia, embora concordando que "este "realizar" é um neologismo semântico", vê aqui um caso diferente do anterior. É que "há determinadas construções que não são tão naturais na língua portuguesa como noutras línguas", explica. "Dizer "I realized"em português implica uma paráfrase, uma estrutura mais complexa." No caso, qualquer coisa como "tomei consciência de".

A questão, para Malaca Casteleiro, é que a língua portuguesa tem dificuldade "em dizer as coisas de uma forma curta", que é "o que o inglês consegue fazer". "A nossa língua é analítica e não sintética."

Outro exemplo: há umas semanas, num noticiário, dizia-se que determinado prédio tinha "colapsado". Há dicionários que registam "colapsar" como "queda súbita".

No Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea elaborado pela Academia de Ciências de Lisboa sob direcção de Malaca Casteleiro não existe o verbo "colapsar", mas existe "colapso". Os dois primeiros significados são de ordem médica, existindo outra no sentido comercial (imaginemos: "A Bolsa colapsou"). No entanto, diz o professor, este sentido "não [o] repugna". Tanto não o repugna que do Dicionário Gramatical de Verbos Portugueses consta "colapsar" com o exemplo: "A explosão colapsou a estrutura", o que, segundo o professor, torna o exemplo relativo ao prédio "aceitável".

"Aparentemente há um anglicismo", diz Margarita Correia, linguista. Mas, ressalva, "no século XV e XVI usava-se isso: tinha-se o nome e acrescentava-se "ar"".Mais exemplos: "terminar" é hoje usado no sentido de "destruir" ("terminate"), "submeter" no sentido de "entregar" ("to submit"), "deletar" é usado como "apagar" ("to delete") e "traçar" é usado como "rastrear" ("trace back").

Claro que os neologismos semânticos não são uma novidade e Carlos Gouveia dá mesmo um curioso exemplo do caso: "Os suportes dos carris, que eram barras, tinham como nome inglês "sleepers" (de "to sleep", dormir). O nome popular em português passou a ser xulipa. Mas a partir da expressão original criou-se o nome "dormentes", que é outro neologismo semântico."

A novidade aqui será a quantidade de termos que entraram em pouco tempo no nosso léxico e o facto de algumas destas palavras virem de uma revolução tecnológica - que aliás já nos tinham dado verbos como "printar" e "salvar", que à primeira vista parecem fazer já parte da linguagem corrente.

Carlos Gouveia não concorda. "Este género de fenómenos, como "printar"e "salvar", ainda não estão fixos na língua portuguesa", afirma. "As pessoas podem-nas dizer assim, mas não as escrevem." Para o linguista "há uma consciência do que se pode escrever e da diferença face à oralidade".

Já verbos como "mailar" e "googlar" são "casos diferentes dos outros", que "não vão ficar". São "muletas de que as pessoas se servem neste momento particular" e das quais "as pessoas têm consciência, ao contrário do "focalizar", em que provavelmente não há consciência do erro".

Malaca Casteleiro concorda com Gouveia, porque estes verbos "dizem respeito a actividades novas". Na sua opinião podia-se "grafar "googlar" com "u" [ficando "guglar"], mesmo sendo um decalque fonético".

Nem sempre a inovação tecnológica faz criar anglicismos ou neologismos semânticos. Por vezes a língua usa as próprias palavras de origem, mesmo quando temos substitutos à altura.

Uma dessas palavras é "site", cujo uso, para Malaca Casteleiro, "é um disparate", porque "temos uma palavra portuguesa que se aplica perfeitamente ao caso": "sítio".

O professor também não vê razões para não usar "anexo" ("attachment") ou "ligação" ("link"). Mais: "input" pode ser "entrada" e "output" pode ser "saída". "O que se faz nestes exemplos", explica, "é dar maior significado semântico a palavras que já existem."

Mas há outras palavras que entraram no léxico português sem que se perceba bem porquê. "Hoodie" é uma delas. Um "hoodie" é uma sweat-shirt com "hood", isto é, com capuz. Os adolescentes argumentam que não há tradução directa para português. Mas a palavra portuguesa "capuz" significa "peça de vestuário de forma cónica". Ou seja: "hoodie".

Malaca Casteleiro assinala que não haveria, para a indumentária em questão, problema algum em usar "capucho" ou "capuz" como tradução: "Estaríamos quando muito a dar maior significado semântico à palavra portuguesa que já existia." "Não o fazer", acrescenta, "é sinal de tacanhez."

Talvez não haja aqui tanta tacanhez como lógica grupal. Analise-se a palavra "phones", isto é, "auscultadores".

"O uso desta expressão", avança Carlos Gouveia, "está associado à pertença a um grupo, é um código de exclusão de quem não domina os termos." E o mesmo quanto a"hoodie": "Tem a ver com questões de moda. Daqui a um ano a moda muda e a palavra deixa de ser usada", conclui o linguista, deixando no entanto a porta aberta aos "phones": "Essa é uma palavra que me parece que pode vir a ficar."

João Taveira, publicitário da McCann, concorda com Carlos Gouveia: "Se os amigos de um miúdo dizem "phones" ele não vai dizer "auscultadores", sob pena de passar por "geek", que em português é totó."

Habituado a lidar com fenómenos de lógica grupal, Taveira não tem dúvidas de que "algumas destas expressões nascem da necessidade de integração social". O publicitário, que afirma que expressões como estas "são constantemente usadas pelos [publicitários] mais novos nos textos", assinala um fenómeno curioso: "Há pouco tempo estava à conversa com um colega brasileiro que se queixava de que os mais novos têm talento para as assinaturas [slogans] mas são incapazes de fazer textos."Ou seja: as crianças são óptimas "a trabalhar com uma imagem e uma frase-chave", mas quando se chega aos folhetos "os erros notam-se mais". Isso tem a ver, diz, com a lógica comunicacional de hoje: "Os miúdos andam muito na Net, vêem muitos vídeos estrangeiros e isso passa para a linguagem corrente."

"A velocidade de comunicação é tal que a preocupação reside em fazer passar a mensagem" e não em pensá-la, afiança, por seu lado, Carlos Gouveia, ressalvando que "é preciso perceber que a maior parte das pessoas não são profissionais da língua, são utentes".

Carlos Gouveia não tem dúvidas de que "a presença da cultura norte-americana no nosso quotidiano é muito forte". Não vai ao ponto de dizer que é uma colonização, mas "a globalização é uma americanização".

O professor Malaca Casteleiro gosta de contar uma graçola: "No século XVIII usava-se um termo para designar os falantes afrancesados: eram os "galiciparlas". Hoje temos "angliciparlas" por todo o lado."

Mas nem todas as mudanças no português vêm dos EUA. Algumas vêm de Espanha. Do país vizinho dizia-se que "Nem bom vento nem bom casamento". Hoje podemos dizer que "Nem bom campeonato nem bom português". Porque é graças aos espanhóis que a portuguesa "esperança" passou a ser uma estranha "ilusão".

"O "ilusão" em vez de "esperança" vem da tradução à letra de um discurso do Quique Flores", lembra João Taveira. Foi um momento inolvidável na nossa cultura popular: Quique chegou, disse que tinha muita "ilusión" em ser "campeón" e no dia seguinte os jornais escreveram que Quique tinha a "ilusão" de ser "campeão". A palavra pegou e hoje já falta pouco para que uma grávida esteja "de ilusões" em vez "de esperanças".

"Custa-me a entender este exemplo", diz Carlos Gouveia, que acredita que "talvez seja uma coisa passageira". Vagamente estupefacto, o professor esclarece que esse uso de "ilusão" é um erro "porque pressupõe o contrário do que quem o usa queria que acontecesse".

Há mais palavras que dizem o oposto do que é suposto o seu emissor estar a enunciar. Uma em particular é muito usada por políticos que querem realçar as vantagens de uma lei: "virtualidades".

É mais ou menos assim: "Esta lei tem a virtualidade de tornar mais fácil ao cidadão (etc.)."

"O que querem dizer é "virtudes", como é óbvio", explica Malaca Casteleiro. "Está-se a falar das vantagens que algo tem. O "virtual" é algo possível mas não real, pelo que ao usar "virtualidades" está-se a dizer o contrário do que se quer dizer."

Outra palavra que causa confusão é "eventualmente", que parece ser um anglicismo de "eventually". "Eventually"significa "e por fim" ou aparentados. Nos dicionários Inglês-Português da Porto Editora é traduzido por "eventualmente". Mas nos dicionários de Português "eventualmente" é definido por "casualmente" e "eventual" significa "casual, fortuito, contingente", o que está longe do significado de "eventually" - onde há "eventually" não há contingência, há um acontecimento final.

"Muito possivelmente as equipas que fizeram os dicionário não são as mesmas", diz a professora Margarita Correia acrescentando que "o mais certo é a palavra ter entrado na fala". "Os dicionários não são só normativos, servem para registar o uso corrente que as pessoas fazem das palavras." E se a palavra está assim registada "é porque há evidência" que o uso que se faz dela já incorpora o significado de "eventually", o que pode - eventualmente - constituir um exemplo de como a língua absorveu uma palavra estrangeira.No entanto, para o professor Malaca Castaleiro, este novo sentido de "eventualmente" não tem sentido porque "não há uma ideia de finalidade" em "eventual".

No meio destas confusões o português anda perdido ao ponto de não saber onde anda. Em compensação, o "onde" anda por todo o lado. De repente deixou-se de dizer "em que" para se dizer "onde". Diz-se que 1974 foi o ano "onde" os portugueses se libertaram de uma ditadura, etc. Fará isto sentido?

"O "em que" é mais geral porque tanto localiza no espaço como no tempo", explica Malaca Casteleiro. "O "onde" é locativo, localiza no espaço." Pelo que "há um alargamento semântico da palavra" que ao professor parece "um pouco extemporâneo" ou mesmo "pouco razoável". No entanto, "é possível que ["onde"] acabe por se fixar com os dois sentidos".

Em jeito de conclusão renomeiem-se as causas desta pequena mutação na língua: sobreexposição a uma cultura, permeabilidade, moda, integração social, excesso de informação não filtrada. Mas também "um novo-riquismo linguístico", como diz Malaca Casteleiro, patente - exemplos nossos - na necessidade de reinventar a roda e que é notória no uso de expressões como "deslocalizar" (que é "deslocar") ou "inverdade" (que é uma coisa antiga, que já não existe, chamada "mentira"). "Estas expressões tornam-se bordões linguísticos e sociais", avança o investigador, que deixa um pedido: "Devia haver nos meios de comunicação um provedor da língua portuguesa que passasse em revista a escrita e desse sugestões, porque trata-se de defender um bem que é nosso." Ou dito de outra forma: no que toca ao português, sejamos "resilientes". Isto é, "resistentes".

6 de janeiro de 2011

Língua portuguesa: Vuvuzela é a palavra do ano de 2010


Loures, 06 jan (Lusa) – Vuvuzela foi hoje eleita a palavra do ano de 2010, numa votação online promovida pela Porto Editora que pretende com esta iniciativa demonstrar a evolução da língua portuguesa.

Além de Vuvuzela, défice, desemprego, SCUT, rede social, PEC, orçamento, tablet, FMI e mineiro eram as outras palavras propostas a votação pelo Departamento de Dicionários da Porto Editora

Em declarações à agência Lusa, o administrador da Porto Editora, Vasco Teixeira, considerou tratar-se de uma iniciativa que visa “demonstrar que a língua portuguesa é dinâmica e está em constante evolução”.

O responsável explicou ainda que a seleção das palavras foi feita tendo em conta a sua frequência e relevância, e realçou que os vocábulos escolhidos oferecem uma perspetiva daquilo que foi o ano de 2010, notando-se uma “prevalência das questões sociais e económicas”.

A eleição da palavra do ano decorre já há alguns anos, mas este foi o primeiro em que o vocábulo foi escolhido pelos portugueses.

Em 2009 a palavra do ano tinha sido esmiuçar, que ganhou notoriedade devido a uma rubrica televisiva dos Gato Fedorento.

15 de dezembro de 2010

França: Petição pública contra supressão do Português nos concursos de duas universidades de referência

Paris, 15 dez (Lusa) – A supressão do Português nos concursos para duas universidades francesas de referência motivou o lançamento de uma petição pública na Internet, afirmaram hoje à Agência Lusa em Paris alguns dos promotores da iniciativa.

A petição pública pretende alertar para o projeto de supressão, a partir de 2012, do Português nos concursos da Escola Normal Superior (ENS) e da Escola Politécnica (EP), duas instituições de referência no ensino superior e na investigação científica em França.

A petição é assinada pelo presidente da Associação para o Desenvolvimento dos Estudos Portugueses, Brasileiros e da África e da Ásia Lusófonas (ADEPBA), Christophe Gonzalez, “e tem o apoio dos lusitanistas e hispanistas em várias universidades francesas”, afirmaram alguns dos signatários contactados hoje pela Lusa.

“É com estupefação que constatamos o desaparecimento da língua portuguesa tanto em LV1 (língua viva, nível 1) como no que toca a LV2, de resto simplesmente suprimidos”, lê-se na petição, endereçada aos diretores da ENS e da EP.

A supressão “atenta contra a credibilidade da língua portuguesa como instrumento de formação”, acusa a ADEPBA.

“Tudo foi feito pela calada”, constata uma professora portuguesa da Universidade Paris-3, signatária de uma primeira carta endereçada pela Sociedade de Hispanistas Franceses às direções da ENS e da EP e aos ministros da tutela.

“Pode ser o início de redução da língua portuguesa noutras instituições de ensino superior. Os concursos à ENP e à EP são realmente simbólicos, por serem duas das ‘grandes escolas’”, como são chamadas as universidades de elite em França, salienta a mesma docente.

A petição da ADEPBA refere que “a supressão da língua portuguesa nos concursos é tanto mais incompreensível na medida em que se trata de uma língua de grande comunicação internacional falada em cinco continentes”.

O presidente da ADEPBA recorda que o Português “é também uma grande língua de negócios entre a França e os países lusófonos” e refere a importância do Brasil, de Angola e de Portugal, “terceiro país em termos de exportações francesas e um dos principais parceiros comerciais” de França.

A concretizar-se a “reestruturação” dos currículos na ENS e na EP, segundo professores de diferentes universidades francesas hoje ouvidos pela Lusa, estas duas escolas retêm apenas três línguas europeias (Inglês, Alemão e Espanhol) e “fazem aparecer com grande força o Chinês ao lado do Árabe” entre as línguas em que os candidatos às duas escolas podem prestar provas.

Na petição pública da ADEPBA, é sublinhado que “quaisquer que sejam as motivações desta decisão – simples comodidade, economia, pedagogia, notação, etc. - , elas são dificilmente aceitáveis num estabelecimento onde também se joga o papel e o prestígio da França”.

A Lusa contactou a direção da ENS e da EP para obter um esclarecimento sobre a reestruturação curricular mas não obteve resposta em tempo útil de nenhuma das instituições.

A ENS e a EP foram fundadas em 1794, durante a Revolução Francesa. São dois centros de excelência e ocupam o topo do “ranking” das universidades francesas.

2 de novembro de 2010

Língua: Encontro internacional debate trunfos do português num mundo globalizado

Lisboa, 23 out (Lusa) – A utilização e difusão do português nas novas plataformas tecnológicas é um dos desafios da língua portuguesa que estará em debate no encontro internacional da língua portuguesa e cultura lusófonas, segunda e terça-feira, em Lisboa.

O encontro, promovido pela União Latina em cooperação com a Fundação Gulbenkian, reúne dezenas de académicos, políticos, diplomatas, gestores e outras individualidades.

“Hoje estamos num mundo globalizado e nele a língua portuguesa tem um trunfo, por ser uma das cinco mais faladas no mundo e pela presença nos cinco continentes, e com potencialidades culturais muito evidentes”, salientou Renée Gomes, representante da União Latina em Portugal.

Mas há também desafios e alguns dos principais, destacou, têm a ver com o facto de “não ser língua oficial nos organismos internacionais” e ter “uma das taxas mais fracas em matéria de produção e difusão para as novas plataformas, como a Internet”.

Estes dois temas vão estar em destaque no debate, além de outros como o valor da língua portuguesa e a diáspora e a imigração

“Queremos que este fórum seja de reflexão, do qual saiam propostas concretas para superar esses desafios”, disse à agência Lusa Renée Gomes.

O presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, e o secretário de Estado da Comunidades Portuguesas, António Braga, vão estar na sessão de abertura do encontro, ao lado do presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Rui Vilar, e o secretário geral da União Latina, e abrir a conferência o ex-ministro da cultura, Manuel Maria Carrilho, que esteve colocado nos últimos anos como embaixador na Unesco.

Nos vários painéis de debate estão presidentes de empresas de media, como Francisco Pinto Balsemão, do grupo Impresa, e Afonso Camões, presidente do conselho de administração da Agência Lusa, de várias editoras, centros de línguas e universidades.

Segundo o programa, encerram o encontro o Presidente da República, Cavaco Silva, a ministra da Educação, Isabel Alçada, o secretário geral da União Latina, José Luis Dicenta, e o secretário executivo da CPLP, Domingos Simões Pereira.

4 de junho de 2010

Óbito/João Aguiar: Escritor foi um dos cultores em Portugal do romance histórico (Perfil)

Lisboa, 03 jun (Lusa) - O escritor João Aguiar, o Tio João da série juvenil “O Bando dos Quatro” que morreu hoje em Lisboa vítima de cancro, foi um dos cultores em Portugal do chamado romance histórico, com “A Voz dos Deuses”, publicado em 1984.

João Casimiro Namorado de Aguiar nasceu em 28 de outubro de 1943 e viveu a infância entre Lisboa, cidade natal, e a Beira, em Moçambique. A mãe ensinou-o a ler para mantê-lo sossegado na cama, durante um longo período de doença, e de leitor interessado passou rapidamente a aspirante a escritor.

Aos oito anos, tentou ditar um livro de aventuras à irmã Maria João mas o sentido crítico dela arrasou-lhe as pretensões. Insistiu com novas obras que foi deitando para o lixo e teve mesmo um “primeiro” livro que só não viu a luz do dia porque a editora faliu antes. Só depois dos 40 anos publicou o primeiro romance, na Perspetivas & Realidades de João Soares: “A Voz dos Deuses”, uma ficção histórica centrada na figura de Viriato.

Seguiram-se duas dezenas de romances que o levaram a estudar a história mais remota de Portugal – regressou aos primórdios para falar de Sertório e publicou até um trabalho não ficcionado sobre o menino do Lapedo. Viajou para Macau com a ficção para escrever “Os Comedores de Pérolas” e “O Dragão de Fumo”.

Pelo meio, João Aguiar criou duas séries destinadas ao público mais jovem – “Sebastião e os Mundos Secretos” e o “Bando dos Quatro”, no qual ele próprio figura na personagem do Tio João. Fez também o libreto para a ópera “A Orquídea Branca” de Jorge Salgueiro, estreada em 2008.

A doença que veio a provocar-lhe a morte impediu-o de concluir o livro que preparava sobre a revolução de 1383.

João Aguiar frequentou em Lisboa os cursos superiores de Direito e Filosofia mas foi em Bruxelas que se licenciou em Jornalismo, profissão que entretanto tinha começado a exercer. Na Bélgica, fez um pouco de tudo, desde lavar escadas a trabalhar no Turismo de Portugal.

De regresso a Portugal, fez o serviço militar e uma comissão em Angola no sector da ação psicológica, produzindo rádio para as tropas.

Considerou-se sempre jornalista, mesmo passados largos anos desde que abandonara a actividade profissional. Começou pela RTP – onde também coordenou uma série da Rua Sésamo - e passou depois por jornais como Diário de Notícias, A Luta, O País. Fez rádio no Canadá, onde trabalhou com Henrique Mendes.

Dizia-se um “monárquico não tradicionalista”, justificava-o “por uma questão pragmática”. O último romance que publicou – “O Priorado do Cifrão” – era uma “charge” ao mundo criado por Dan Brown.

Numa autobiografia irónica que escreveu para o jornal de Letras em 2005, João Aguiar concluía: “A minha vida não dava um livro, e ainda bem. Em compensação, o facto de os meus livros darem uma vida – boa ou má, não importa para o caso – , esse facto devo-o, em grande parte, aos momentos de não-glória que acabo de relatar. E estou-lhes muito grato.”

28 de março de 2010

Língua: Emigração em França inventou uma língua de "champanhe com tremoços"

Paris, 28 março (Lusa) - Onde fica a "curra da Rosa", chamariz da vizinhança? E o que é "deitar um cu do olho"? Ou, ainda, o que é "despejar a pubela"?

Estas, e centenas, mesmo milhares de outras palavras pertencem a uma língua que não existe mas que, "élá!", é falada diariamente na segunda maior cidade portuguesa depois de Lisboa: Paris. É caso para perguntar, na mesma língua que não é nem português nem francês: "Ah-bom?!?"

Maria João Lehning, escritora portuguesa radicada em França há 22 anos, interessou-se pelas derivações e invenções da linguagem dos emigrantes portugueses, um estudo que ela aplicou nos seus três romances.

"É uma língua inventada pela emigração portuguesa em França e é preciso saber as duas línguas para a conseguir entender", explicou a autora à Agência Lusa em Paris.

"Nem sempre é fácil perceber, tirando aquelas mais fáceis, como ir em vacanças ('vacances', férias) a Portugal ou montar as escalieras ('monter les escaliers', subir as escadas), exemplifica Maria João Lehning.

O champanhe com tremoços servido pelo português Abílio em "D'Acordo", no último romance de Maria João Lehning, é o resumo e metáfora desta língua nova.

"Aprendi muito com a Albertina, uma empregada portuguesa que eu tive aqui em Paris", diz Maria João Lehning.

Formulações como "você foi lá-bá ('lá-bas', lá, além)", tanto como a interjeição "ah-bom?", que repete uma exclamação recorrente dos franceses, agarram-se desde o início aos portugueses que chegam a França", esclarece.

Muitas vezes, a apropriação de uma palavra resulta num sentido exatamente oposto ao do original francês. "Dizem-lhe, por exemplo, 'O meu filho está lá em baixo a treinar, a treinar, a treinar ('traîner', arrastar-se, não fazer nada). Pensa-se que o filho está ativo, mas é o contrário", explica Maria João Lehning.

"É inacreditável e, por vezes, resulta num ridículo impossível". No entanto, a autora reconhece que esta língua "porto-francesa" "reflete imenso uma crise de identidade".

"A invenção de uma língua deriva de um choque entre identidade e alteridade. O português gostava de ser o 'outro' - de ser francês. A vontade de não ser português vem de terem vergonha, como basicamente se sente ainda na nossa emigração mais antiga. A nova é mais rica culturalmente, porque hoje há quadros que fogem de Portugal", diz a autora.

"Nesse sentido, falar francês, mesmo inventado, é uma forma de promoção social. Os emigrantes portugueses estão sempre a dizer mal dos franceses mas gostavam de ser como eles", acrescenta.

A autora de "Travessa de Memória" e "D'Acordo", e de um inédito ainda por publicar, acusa, entretanto, a "atitude de 'snobeira' e desprezo" dos portugueses em Portugal e o "chauvinismo da maioria dos franceses" em relação aos emigrantes portugueses em França.

"Tudo o que cheira a emigração, cheira a pobreza. Cheira a ridículo. É como se Portugal quisesse esconder as suas traseiras, as traseiras do prédio. A emigração é o retrato da pobreza do país e do seu analfabetismo", conclui.

Afinal, o português de emigrante é um local de encontro, quase tão físico como a "curra da Rosa" do romance de Maria João Lehning.

A "curra" é o pátio, "la cour". O sítio comum onde emigrantes e nacionais podem mutuamente "deitar-se um cu de olho", perdão, uma olhada ("coup d'oeil").

26 de março de 2010

Língua: Falantes de português aumentam para 335 milhões em 2050

Lisboa, 25 mar (Lusa) - A língua portuguesa é falada por mais de 250 milhões de pessoas em todo o mundo, a grande maioria - quase 200 milhões - no Brasil, prevendo-se que esse número suba para os 335 milhões em 2050.

Na lista das línguas com maior número de falantes, o português surge entre o quinto e o sétimo lugar, conforme os critérios das organizações que as elaboram.

Se o critério for apenas o da língua materna, o português surge em sétimo lugar, mas se for analisado também como segunda língua, então sobe para o quinto lugar das tabelas.

Falado nos cinco continentes, o português é a língua oficial de oito países: Angola (12,7 milhões de habitantes), Brasil (198,7 milhões), Cabo Verde (429 mil), Guiné-Bissau (1,5 milhões), Moçambique (21,2 milhões), Portugal (10,7 milhões), São Tomé e Príncipe (212 mil) e Timor-Leste (1,1 milhões).

Contudo, em Timor-Leste são uma minoria as pessoas que falam português e em países como a Guiné-Bissau e Moçambique predominam outras línguas, com destaque para o crioulo, e em Angola o português convive com outras línguas nacionais.

Além da população residente, a maioria desses países tem uma vasta população emigrante que promove o português no mundo.

Dados oficiais indicam que existem mais de cinco milhões de emigrantes portugueses, espalhados sobretudo por França, Luxemburgo, Suíça, Inglaterra, Estados Unidos, Canadá e Venezuela, e uma diáspora brasileira de três milhões.

A língua portuguesa é ainda falada em locais por onde os portugueses passaram ao longo da História como Macau, Goa (Índia) e Malaca (Malásia).

Na Internet, a importância do português é mais facilmente avaliada, sendo o sexto idioma mais divulgado.

De acordo com o site "Internet World Stats", cerca de 73 milhões de pessoas navegam em português, mas representam apenas 4,2 por cento do total dos utilizadores da web.

No entanto, entre 2000 e 2009, o número de utilizadores de português na Internet aumentou 864 por cento.

Um estudo recente revela também que o português é a terceira língua mais utilizada na rede social Twitter, atrás do inglês e do japonês.

A língua portuguesa está já presente nos sítios da Internet de alguns blocos político-económicos como a União Europeia, o Mercosul e a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Contudo, os sítios na Internet das Nações Unidas, União Africana, NATO, Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD) e a União dos Estados Ibero-americanos (UEI) não apresentam a língua portuguesa como alternativa de escolha.

Segundo projeções divulgadas pelo Estado português, baseadas na evolução demográfica, os oito estados que têm o idioma como língua oficial deverão totalizar 335 milhões de habitantes em 2050, prevendo-se neste sentido, a consolidação da importância da língua portuguesa.

Para debater o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial e delinear estratégias, dezenas de especialistas vão juntar-se numa Conferência Internacional, em Brasília, entre hoje e 31 de março.

Escritores, académicos, professores, editores, jornalistas e outros profissionais diretamente vinculados à difusão da língua vão refletir sobre o fortalecimento do ensino do idioma, a sua aplicação em organizações internacionais e a importância das diásporas de cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

24 de março de 2010

Língua : "Não há donos do português" - embaixador António Monteiro

Paris, 24 mar (Lusa) - O embaixador António Monteiro, ex-ministro português dos Negócios Estrangeiros, afirmou à Agência Lusa em Paris que "não há donos da língua" e que uma "atitude sentimental" em relação ao português clássico apenas será prejudicial a Portugal.

"Não há donos da língua e o português só ganha em ser percebido como uma língua que é de todos e de cada um que a utiliza", declarou António Monteiro, entrevistado pela Lusa numa visita recente à capital francesa.

António Monteiro frisou que "o português tem novas possibilidades de se impor, porque é um instrumento de trabalho e é essencial para entrar em certos mercados", como é o caso de Angola.

"Temos de fazer uma reflexão muito mais orientada para a ação do que aquela que fazemos, (que) é muito intelectual e sentimental, mas pouco eficaz em termos de utilização", declarou António Monteiro, em vésperas de uma conferência internacional sobre o futuro da língua portuguesa, a partir de quinta feira e durante uma semana em Brasília.

"Se queremos desaparecer, passe o exagero, é ter essa atitude. Se queremos dar a dimensão internacional ao português, temos de aceitar o português falado como os povos que o falam entendem falá-lo", acrescentou o diplomata.

As discussões em torno do novo Acordo Ortográfico "são exercícios intelectuais extremamente interessantes", segundo o diplomata português, que considera "importante manter uma ligação ao português clássico e erudito". E defende "que o desenvolvimento da língua vá de par com o desenvolvimento da escola".

"Não penso que se deva entrar em caminhos de rejeição, quem perde somos nós, não são os outros", avisa, no entanto, António Monteiro.

Dando o exemplo do Museu da Língua Portuguesa em São Paulo, António Monteiro salienta que "o Brasil, pela primeira vez, assumiu plenamente a origem europeia do português e fê-lo frontalmente, mencionando depois tudo aquilo que tem dado - e é muito - à língua portuguesa".

"Temos uma língua que tem poder à escala mundial e esse poder é o Brasil. E interessa também ao Brasil ter na sua identidade como potência algo que o distingue dos outros. Isso é bom para os países africanos, para Portugal e para todas as regiões onde se fala português", afirmou António Monteiro.

"A boa imagem que Portugal tem vem muito da nossa cultura, da simplicidade da nossa ação com a gente local, mas também da língua portuguesa, por exemplo com os nomes que ficaram, como os vocábulos de origem portuguesa do malaio ou do japonês", sublinhou o ex-chefe da diplomacia portuguesa.

"Sou a favor da diversidade porque sempre achei que a diversidade faz a riqueza da língua. Temos de evitar que um dia haja o português e o brasileiro, o moçambicano ou o angolano" como línguas diferentes, alertou o embaixador.

"Nós, portugueses, também falamos português", concluiu António Monteiro, citando outro antigo chefe da diplomacia portuguesa, Adriano Moreira.

23 de março de 2010

Língua: Português é um dos 23 idiomas oficiais numa União Europeia cada vez mais "inglesa"

Bruxelas, 23 mar (Lusa) - O português é uma das 23 línguas oficiais das instituições da União Europeia e é utilizada diariamente em dezenas de reuniões, através de um sistema sofisticado de tradução e interpretação simultânea, numa instituição em que o inglês está a ganhar terreno.

"O português e as restantes 22 línguas oficiais [da UE] têm todas a mesma importância", explicou à Agência Lusa o porta voz da Comissão Europeia para a Educação, Cultura, Multilinguismo e Juventude.

Dennis Abbot sublinhou que "é fundamental esta ideia de respeito de todas as línguas oficiais" que as instituições europeias promovem.

Os textos traduzidos para português pelos tradutores das várias instituições europeias são lidos por um grande número de pessoas não só na Europa mas também em todo o mundo.

Há textos que têm um caráter jurídico vinculativo, como aqueles que são publicados no Jornal Oficial da União Europeia, e outros documentos relacionados com as múltiplas actividades das instituições, nele se incluindo obras de divulgação destinadas ao público em geral.

"Não é apenas uma questão legal, também se trata de respeitar a diversidade na Europa", defendeu Dennis Abbot.

A Comissão Europeia gasta cerca de 500 milhões de euros anualmente nos serviços de tradução e de interpretação.

Em 2009, os serviços de tradução do executivo comunitário produziram 1 666 687 páginas de textos em todas as suas línguas, segundo dados da instituição.

Quase 74,6 por cento dos textos traduzidos vinham escritos inicialmente em inglês, 8,3 em francês, 2,7 em alemão e 14,4 em outras línguas.

"Custa muito dinheiro (…), mas se dividirmos esse montante por cada cidadão europeu significa cerca de dois euros por pessoa. Penso que é dinheiro bem gasto porque é mais barato investir dinheiro em tradutores e intérpretes do que em armas", sustentou o porta voz da Comissão Europeia.

A importância da língua inglesa tem vindo a aumentar ao longo dos anos, de 45 por cento de textos que chegavam nesse idioma em 1997 para 62 em 2004 e quase 75 no ano passado, mas o lugar do Português parece estar assegurado.

"Mesmo que nos corredores da Comissão Europeia ouçamos mais inglês, francês ou alemão, também se ouve português", assegurou Dennis Abbot.

17 de fevereiro de 2010

Lingu@net Europa

O Lingu@net Europa é um centro virtual multilingue que fornece informação sobre recursos pedagógicos em linha e hiperligações de qualidade, associado ao ensino/aprendizagem de línguas estrangeiras modernas.

Destina-se a professores, formadores, decisores, investigadores, estudantes e outros profissionais envolvidos nesta área.

Actualmente pode aceder ao Lingu@net Europa em Alemão, Espanhol, Inglês, Italiano, Francês, Neerlandês e Português.

Criado em 2000, é mantido desde então por um conjunto de organizações europeias e não europeias que, conjuntamente, detêm conhecimentos e experiência em pedagogia, tecnologia e divulgação de informação.

O Instituto Camões, através do Centro Virtual Camões, aderiu a este projecto em 2003, num momento em que este entrou na sua segunda fase de renovação e de expansão. Estaáigualmente encarregue de garantir a navegação no sítio em Português e de aumentar o número de recursos associados ao ensino/aprendizagem da língua e cultura portuguesa.

8 de fevereiro de 2010

Língua Portuguesa: Vocabulário Ortográfico do Português disponível na Internet

Lisboa, 08 fev (Lusa) - O Vocabulário Ortográfico do Português (VOP) está disponível no Portal da Língua Portuguesa - www.portaldalinguaportuguesa.org - desde o passado dia 01, informou o Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC).

Produzido pelo ILTEC, o vocabulário reúne uma extensa lista de palavras com indicações de ortografia, categoria morfossintática e peculiaridades de flexão, caso existam.

Nesta primeira fase, o VOP, concebido para consulta na Internet, integra 150 mil palavras do vocabulário geral,num projeto submetido ao Fundo da Língua Portuguesa. Este fundo agrega quatro ministérios - Negócios Estrangeiros, Cultura, Educação e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior - e é gerido pelo Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD).

Até ao fim deste mês, o Portal da Língua Portuguesa disponibilizará ainda o Lince, um conversor para a nova ortografia com vários verificadores ortográficos. O Lince é uma ferramenta descarregável que permite a conversão automática de textos de qualquer dimensão para a nova ortografia.

O Lince permitirá converter textos em formatos DOC, PDF, ODT, RTF e TXT. Os verificadores ortográficos são extensões para o Microsoft Office Word e Outlook 2003 e 2007 e para o OpenOffice.org que permitem verificar a ortografia dos textos enquanto são digitalizados. Ambas as ferramentas integram os dados do VOP.

Em abril próximo, o Vocabulário Ortográfico de Português passará a dispor de mais de 200 mil entradas do vocabulário geral e seis dicionários: estrangeirismos, topónimos e gentílicos, nomes próprios, expressões latinas, unidades de medida e abreviaturas.

O VOP e os recursos a ele associados estão disponíveis gratuitamente e visam fazer face às necessidades do público em geral e dos profissionais que trabalham com a língua portuguesa, para que a redação do português seja consonante com a nova ortografia em vigor.

15 de janeiro de 2010

Língua: Ensino do português enquanto língua materna pode acabar em alguns países - presidente Instituto Camões

Lisboa, 15 Jan (Lusa) - A presidente do Instituto Camões (IC), Ana Paula Laborinho, admitiu hoje que o ensino do português enquanto língua materna pode acabar em alguns países porque o objectivo é a sua integração nos sistemas de ensino no estrangeiro.

"Isso (fim do português como língua materna) tem de ser analisado caso a caso. Não significa descontinuar em todos os casos. Vamos ter de fazer uma avaliação caso a caso da situação dos países onde o português está e qual a melhor estratégia", disse à Lusa.

Ana Paula Laborinho falava à margem da conferência "A Língua Portuguesa e as Relações Internacionais", que decorre hoje na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

"O objectivo é a integração do português nos sistemas de ensino", sublinhou a responsável.

Nesse sentido, Ana Paula Laborinho reafirmou a intenção de Portugal apoiar o ensino do português em países como os Estados Unidos ou o Canadá, onde há anos o ensino é feito sobretudo em associações de emigrantes.

A presidente do IC defendeu ainda a importância de se "reforçar a importância do português num instrumento de trabalho", considerando que essa é uma "linha fundamental".

Nesse âmbito, Ana Paula Laborinho considerou também fundamental a formação de tradutores e intérpretes nos esforços para reforçar a presença do português junto de organizações internacionais.

Sob o tema "À Conquista de Novos Espaços", o primeiro painel da conferência contou com os temas "O Papel do IC na Promoção Externa da Língua Portuguesa" e "Tétum e Português, Línguas co-oficiais de Timor-Leste".

Ao falar sobre este último tema, Isabel Feijó, que esteve a dar formação em Timor-Leste, debateu a problemática de, apesar de ser língua oficial, o português não ser falado ou percebido pela grande maioria dos timorenses e defendeu que a resposta para a expansão da língua portuguesa pode estar no tétum.

"Deve haver uma forte aposta no ensino formal do tétum - que tem uma grande base portuguesa. O tétum deve ser considerado património da Lusofonia e pode ser uma plataforma para a promoção do português", afirmou.

A conferência termina esta tarde com um painel sobre "A Língua Portuguesa nas Organizações Internacionais".

14 de janeiro de 2010

Instituto Camões: Nova presidente considera língua portuguesa"capital estratégico"

Lisboa, 11 Jan (Lusa) - A nova presidente do Instituto Camões, Ana Paula Laborinho, afirmou hoje que a língua portuguesa deve ser encarada como "capital estratégico" e "recurso ímpar", cuja promoção internacional necessita de um maior envolvimento de parceiros privados.

"Devemos entender a língua como capital estratégico e recurso ímpar que temos de promover em atitude de parceria e envolvimento dos muitos actores que partilham responsabilidades e empenhamento na afirmação do português como língua internacional", disse a responsável, na cerimónia da sua tomada de posse, no Palácio das Necessidades.

Segundo a nova presidente do Instituto Camões (organismo que tem como missão a divulgação da cultura e da língua portuguesa no estrangeiro), uma das suas "opções de actuação" será o envolvimento dos vários parceiros públicos e privados na internacionalização do português.

20 de outubro de 2009

A posição actual da língua portuguesa no mundo


Lido no site
www.ciberduvidas.sapo.pt :

Existem várias listas de línguas mais faladas no mundo, umas mais credíveis do que outras, mas não se dispõe de uma tabela reconhecida internacionalmente. Seja como for, sugere-se a consulta do Ethnologue, que se afirma como um catálogo exaustivo das línguas do mundo (é publicado pelo Summer Institute of Linguistics) : na edição de 2009 desta obra, o português aparece como a sétima língua que tem mais falantes no mundo.